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quinta-feira, 17 de maio de 2012

A crise do Golfo Pérsico foi prevista há décadas

Previsões e Denúncias

Catolicismo N° 478 — Outubro de 1990 — p. 11

O perigo representado pelo poderio muçulmano voltado contra o Ocidente — como se configura hoje (1990) a tentativa de Saddam Hussein de coligar o mundo maometano para uma guerra santa — foi revisto há meio século pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

A quase totalidade dos jornais e revistas se jacta de publicar as notícias mais candentes do
presente; um ou outro traz alguma recapitulação do passado; quase nenhum tem a audácia de
“noticiar” o futuro. 

Como assim? — “Noticiar” o futuro é a metáfora que aqui empregamos para indicar uma
previsão feita com acerto. Quando um prognóstico se realiza — sobretudo se apresentado com
muita antecedência — é como se se tivesse “noticiado” o futuro. 

A capacidade de prognosticar com acerto de modo habitual, recorrendo aos bons métodos
da lógica, do bom senso, do conhecimento das leis da psicologia humana e da História —
freqüentemente com o auxílio da graça divina — é pouco comum. 

O intelecto humano tem lume suficiente para estabalecer conjecturas prováveis
 
Nesse sentido, os acontecimentos que se desenvolvem atualmente (1990) no Oriente
Médio nos fornecem uma ocasião única e atualíssima para ressaltar um dos aspectos mais
admiráveis da riquíssima personalidade do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: sua capacidade de
prognosticar. 

A propósito, escrevia ele mesmo em “Catolicismo” (janeiro de 1959): “Entreguemo-nos
ainda uma vez, sob o olhar de Maria, a esta tarefa de medir, pesar e prognosticar. Prognosticar,
sim. Pois se habitualmente Deus a ninguém revela o futuro, a mente alguma deu o dom de
fazer por si mesma prognósticos infalíveis, quis entretanto que o intelecto do homem tivesse o
lume suficiente para estabelecer conjecturas prováveis, que podem servir de elemento precioso
para a direção das atividades humanas”. 


Prevendo a crise do Oriente Médio há 46 anos 

Já nas páginas do “Legionário”, então órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, ele
advertia sobre os problemas que adviriam do mundo muçulmano: “O mundo muçulmano possui
recursos naturais indispensáveis ao suprimento da Europa. Ele terá em mãos os meios
necessários para perturbar ou paralisar a qualquer momento o ritmo de toda a economia
européia. E, com isto, ele terá também os meios para se armar até os dentes” (“Legionário”, 810-
1944). 

A presente crise no Golfo Pérsico é uma impressionante confirmação desses prognósticos. 

Uma “quimera” que se torna realidade 

Mas essa advertência não foi a única. Nesse mesmo ano de 1944 ele já apontara o moloch
que se erguia diante do Ocidente cristão: 

“Reunir-se-á dentro de algum tempo, no Cairo, a famosa conferência destinada a
congregar em um todo político os povos de idioma árabe e cultura muçulmana. Por enquanto o
perigo deste empreendimento parece uma [simples] quimera .... Entretanto dia virá em que
se notará o gravíssimo erro em que incidem as potências ocidentais, consentindo na formação
desse moloch bem às portas da Cristandade” (“Legionário”, 16-1-1944 — grifos nossos). 

1946: o neo-arabismo ameaçará o mundo de metralhadora em punho 

Esse perigo foi novamente previsto pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 1946:
“Não tardará muito que apareçam também as questões internacionais, o atrito entre o
neo-arabismo, de metralhadora em punho contra o Ocidente dividido, anarquizado,
extenuado...” (“Legionário”, 21-7-1946). 

1947: não é ainda uma questão de hoje, mas “uma grave questão de amanhã” 

E assim a questão foi crescendo e ganhando em atualidade: 
“No próprio momento em que a URSS, com suas nações satélites ou escravas, ameaça o
Ocidente, o aparecimento de mais este inimigo [os maometanos] só pode ser indiferente aos
políticos imediatistas e de vistas curtas. Por tudo isto, a questão maometana, que, se não é
ainda inteiramente uma questão de hoje, já é indiscutivelmente uma grave questão de
amanhã
, nos interessa e nos preocupa” (“Legionário”, 19-10-1947 — grifos nossos). 

O dinamismo desse crescimento encontra seu fundamento no velho sonho muçulmano de
um neo-arabismo unificado, do qual Nasser foi um dos destacados porta-vozes. É o conhecido
escritor Servan-Schreiber quem relata: “Um sonho grandioso o habita [Nasser], e ele o
descreveu: ‘unir quatrocentos milhões de muçulmanos’, eis aqui um papel gigantesco que
espera um ator qualificado. É a nós, e a nós somente, que o passado designa para representar
este papel... e o petróleo será a espada do mundo’” (Jean-Jacques Servan-Schreiber, Le défi
mondial, Fayard, 1980, p. 168 — grifos nossos). 

Recentemente noticiou um diário paulistano ter Saddam Hussein, o ditador do Iraque,
afirmado que ocorrerá uma grande batalha e que “cabe agora a todos os árabes e muçulmanos
do mundo a tarefa de salvar a humanidade”. E acrescentou: “Os iraquianos escolheram a luta e
estarão na linha de frente. Pedimos a todos os árabes que façam o que puderem para lutar
contra o inimigo” (“O Estado de S. Paulo”, 6-9-90). 

*** 

Em vista desses prognósticos — enunciados quando os poderosos do Ocidente e do resto
do mundo ainda podiam fazer tudo para evitar os perigos aqui apontados —, consideremos a
tristíssima situação atual: a negligência, a cegueira e mesmo a indiferença a que está entregue
o mundo ocidental e, nele, inclusive os católicos. De há muito a Igreja e a outrora feliz
Cristandade vêm sendo corroídas por um misterioso processo de autodemolição. Assim sendo, é
de um lado impossível não censurar com indignação os cegos que não quiseram ver os fatos
quando estes lhes foram previstos, e não os quererem ver agora quando se realizam; e, de
outro lado, não agradecer do fundo da alma ao insigne pensador católico, pela sua previdência,
coragem e probidade intelectual e moral. 

“Uma coisa é ter vista, outra é ter visão”, afirmou o célebre escritor português Antero
de Figueiredo. É bem chegada a hora de pedir a Nossa Senhora de Fátima que dê à humanidade
a imensa graça de não mais se deixar guiar por líderes cegos ou de vistas curtas; que Ela nos
obtenha de seu Divino Filho a abertura de alma e a generosidade necessárias para trilharmos as
vias da verdade que forem traçadas diante de nós, por maiores que possam ser as renúncias
exigidas por essa atitude.
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