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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Os pastores de Belém – conto de natal




Naquela noite misteriosa, encoberta de nuvens, um grupo de pastores tinha uma diferente sensação de tranquilidade interna em suas almas. Certamente algo estava para acontecer, mas nenhum deles ousava exprimir aos outros aquilo que pensavam ser um sentimento meramente pessoal.

Sentados em roda, conversavam sobre a chuva que poderia cair durante a madrugada e o cuidado redobrado que teriam para cuidar de suas ovelhas. Mas aquela noite misteriosa parecia que desejava revelar-lhes um segredo e, à medida que o tempo passava, uma mistura de temor e alegria os inundava cada vez mais.

Embora externassem uns aos outros as preocupações com a chuva, suas atenções segundas estavam voltadas para aquela serena sensação interna, cheia de calma e alegria. O silêncio, muitas vezes, é a atitude primeira da alma em face do mistério quando este se apresenta carregado de uma beleza inefável.

Todo mistério tem algo de obscuro como a noite. Quando obra da graça, esse obscuro é acompanhado por estrelas radiantes que fazem a alma entrever, apesar do escuro do mistério, a luz da verdade inatingível pela razão. Se se trata de um mistério divino, esse obscuro não é culpa do mistério, mas da razão humana que é finita e incapaz de abarcar tudo aquilo que Deus revela.

E Deus deu a alma humana uma sede misteriosa pelo mistério. Tanto que quando o homem, por um ato de revolta, nega os divinos mistérios sobrenaturais e os julga como contrários a sua razão - tão pequena, aliás, e tão debilitada pelo pecado original; minúscula como um grão de poeira se comparada com o tamanho do universo -, a alma do homem, assim turvada, se volta ainda assim para os mistérios, mas para as trevas misteriosas do preternatural, do esoterismo e do ateísmo. Sim, nada mais sinistramente misterioso do que as trevas do ateísmo e nada é tão inexplicável à razão quanto a fé de seus adeptos.

Naquela noite, toda a natureza parecia sorrir para os pastores. Mas, como? Se era… noite? Durante a noite não se sente apenas medo e terror do perigo iminente e do sombrio das trevas que acobertam os ladrões e as feras? Como era possível sentir aquela misteriosa sensação de calma, tranquilidade e paz? Havia realmente algo diferente. Um misterioso mistério perfumava aquela noite nos campos próximos à Belém.

Mas, entre os pastores, diversas eram as atitudes de alma que cada um tomava em face daquela sensação misteriosa que os invadia.

Uns percebiam que aquilo poderia significar que Deus interviria novamente no curso da História. Lembravam-se dos profetas que anunciavam a vinda do Messias, da paganização que cobria a Terra, da história misteriosa e paradoxal de uma Virgem que havia concebido e das opressões que sofriam os fiéis às Leis de Deus naquela Jerusalém decadente.

Outros pastores apenas identificavam aquela sensação com uma esperança de que a chuva não viesse e assim pudessem ter uma noite mais tranquila.

Alguns outros, dentre eles, viam naquele sentimento algo que contrariava seu modo de vida libertino e desregrado. Entregues às paixões desordenadas e à desordem temperamental que os vícios morais causavam, eles se achavam indignos daquele sentimento de alegria primaveril que, há tantos anos, haviam afogado na fanfarronice febricitante de uma vida onde a virtude não passava de uma palavra. A saudade desse período de inocência perdido os sensibilizava.

O tempo corria e a noite se firmava. A escuridão parecia pesar cada vez mais. Em certo momento, os pastores notaram que seus rebanhos estavam silenciosos como nunca antes estiveram. Os animais pareciam participar daquela sensação aprazível e serena de algo misterioso.

Quando menos esperavam, uma luz misteriosa apareceu. Tão forte e intensa que os cegou por instantes e não conseguiam abrir os olhos por mais que tentassem. O temor tomou conta de suas almas. Segundos depois, a luz perdeu sua intensidade e eles então puderam ver um anjo pairando no ar. Mas a luz que emanava de seu interior ainda impedia que aqueles homens fixassem suas vistas naquele ser. Pela primeira vez eles sentiam-se impotentes e como que diante de algo que poderia lhes tirar a vida com um só ato de vontade. O temor aumentara.

“Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor”, disse-lhes o anjo num tom de voz que eles nunca antes haviam ouvido.

E o escuro do céu subitamente deu lugar a um coro do exército celeste, que louvava a Deus e dizia como num brado de guerra e ao mesmo tempo como num canto de vitória contra o demônio conspirador da perdição dos homens: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina”.

Todos olhavam para o firmamento e contemplavam aquele espetáculo que em um instante sumiu dando lugar novamente à escuridão da noite. Um bezerrinho encostou-se em seu pastor e este, olhando para o céu, tirou o tecido que lhe cobria a cabeça e apontou para o horizonte dizendo: olhem!

As nuvens começaram a se abrir e por detrás delas uma estrela desconhecida brilhava fortemente. No alto da colina, os pastores divisaram uma pequena caravana com três camelos que rumava na direção daquele astro.

“Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou”, falaram entre si os pastores.

E, assim, naquela noite misteriosa, a luz resplandeceu na Terra ( Jo. 1, 5).

Para bem celebrar o Santo Natal

Para bem celebrarmos o Santo Natal, segue uma pequena seleção de músicas natalinas.

Um Feliz e Santo Natal a todos!

Adeste Fideles



Stille Nacht



The Little Drummer Boy



Oh Tannenbaum



Maria Durch ein Dornwald ging



Les anges dans nos campagnes



Il est né le Divin Enfant



Oh du fröhliche



Pequeno Concerto de Natal

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Et Vocabitur Princeps Pacis, Cujus Regni Non Erit Finis


Considerando os fatos numa vasta perspectiva histórica, o Santo Natal foi o primeiro dia de vida da civilização cristã. Vida ainda germinativa e incipiente, como os primeiros clarões do sol que nasce; mas vida que já continha em si todos os elementos incomparavelmente ricos, da esplendida maturidade a que se destinava.

Com efeito, se é bem verdade que a civilização é um fato social, que para existir como tal nem sequer pode contentar-se de influenciar um pequeno punhado de pessoas, mas deve irradiar sobre uma coletividade inteira, não se pode dizer que a atmosfera sobrenatural que emana do presépio de Belém sobre os circunstantes já estava formando uma civilização. Mas se, de outro do, consideramos que todas as riquezas da civilização cristã se contém em Nosso Senhor Jesus Cristo como em sua fonte única, infinitamente perfeita, e que a luz que começou a brilhar sobre os homens em Belém havia de alongar cada vez mais seus clarões, até se estender sobre o mundo inteiro, transformando mentalidades, abolindo e instituindo costumes, infundindo espírito novo em todas as culturas, unindo e elevando a um nível superior todas as civilizações, pode-se dizer que o primeiro dia de Cristo na terra foi desde logo o primeiro dia de uma era histórica.

Quem o haveria de dizer? Não há ser humano mais débil do que uma criança. Não há habitação mais pobre do que uma gruta. Não há berço mais rudimentar do que uma manjedoura. Entretanto, esta Criança, naquela gruta, naquela manjedoura, haveria de transformar o curso História.

E que transformação! A mais difícil de todas, pois que se tratava, não de acelerar o curso das coisas no rumo em que seguiam, mas de orientar os homens no caminho mais avesso a suas inclinações: a via da austeridade, do sacrifício, da Cruz. Tratava-se de convidar à Fé um mundo apodrecido pelas superstições, pelo [original truncado, mas foi ordenado] sincretismo religioso e pelo ceticismo completo. Tratava-se de convidar para a justiça uma humanidade afeita a todas as iniqüidades: o domínio despótico do forte sobre os fracos, das massas sobre as elites, e da plutocracia - que reúne em si todos defeitos de umas e outras - sobre a própria massa. Tratava-se de convidar ao desapego um mundo que adorava o prazer sob todas as suas formas. Tratava-se de atrair para a pureza um mundo em que todas as depravações eram conhecidas, praticadas, aprovadas. Tarefa evidentemente inviável, mas que a Divina Criança começou a realizar desde o seu primeiro momento nesta terra, e que nem a força do ódio judaico, nem a força do domínio romano, nem a força das paixões humanas poderia conter.

* * *

Dois mil anos depois do Nascimento de Cristo, parecemos ter voltado ao ponto inicial. A adoração do dinheiro, a divinização das massas, a exasperação do gosto dos prazeres mais vãos, o domínio despótico da força bruta, as superstições, o sincretismo religioso, o cepticismo, enfim o neo-paganismo em todos os seus aspectos invadiram novamente a terra.

Blasfemaria contra Nosso Senhor Jesus Cristo quem afirmasse que este inferno de confusão, de corrupção, de revolta, de violência que temos diante de nós é a civilização cristã, é o Reino de Cristo na Terra. Apenas um ou outro grande lineamento da antiga cristandade sobrevive, abalado, no mundo de hoje. Mas, em sua realidade plena e global a civilização cristã deixou de existir, e da grande luz sobrenatural que começou a fulgir em Belém muito poucos raios brilham ainda sobre as leis, os costumes, as instituições e a cultura do século XX.

Porque isto? Teria a ação de Jesus Cristo - tão presente em nossos tabernáculos como na gruta de Belém - perdido algo de sua eficácia? Evidentemente não.

E, se a causa não está nem pode estar nele, por certo está nos homens. Vindo a um mundo profundamente corrompido, Nosso Senhor e depois dele a Igreja nascente encontraram almas que se abriram à pregação evangélica. Hoje, a pregação evangélica se dissemina por toda a terra. Mas cresce assustadoramente o número dos que se recusam com obstinação a ouvir a palavra de Deus, dos que pelas idéias que professam, pelos costumes que praticam, estão precisamente no pólo oposto à Igreja. "Lux in tenebris lucet, et tenebrae eam non comprehenderunt".

Nisto, só nisto, está a causa de ruína da civilização cristã no mundo. Pois se o homem não é, não quer ser católico, como pode ser cristã a civilização que nasce de suas mãos?

* * *

Espanta que tantos homens perguntem qual a causa da crise titânica em que o mundo se debate. Basta imaginar que a humanidade cumprisse a Lei de Deus, para que se entenda que ipso facto a crise deixaria de existir. O problema, pois, está em nós. Está em nosso livre arbítrio. Está em nossa inteligência que se fecha à verdade, em nossa vontade que, solicitada pelas paixões se recusa ao bem. A reforma do homem é a reforma essencial e indispensável. Com ela, tudo estará feito. Sem ela, tudo quanto se fizer será nada.

Esta é a grande verdade que se deve meditar no Natal. Não basta que nos inclinemos ante Jesus Menino, ao som dos hinos litúrgicos, em uníssono com a alegria do povo fiel. É necessário que cuidemos cada qual de nossa reforma, e da reforma do próximo, para que a crise contemporânea tenha solução, para que a luz que brilha do presépio recobre campo livre para sua irradiação em todo o mundo.

* * *

Mas como conseguir isto? Onde estão nossos cinemas, nossos rádios, nossos diários, nossas organizações? Onde estão nossas bombas atômicas, nossos toques, nossos exércitos? Onde estão nossos bancos, nossos tesouros, nossas riquezas? Como lutar contra o mundo inteiro?

A pergunta é ingênua. Nossa vitória decorre essencialmente e antes de tudo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Bancos, rádios, cinemas, organizações, tudo isto é excelente, e temos obrigação de o utilizar para a dilatação do Reino de Deus. Mas nada disto é indispensável. Ou, em outros termos, se a causa católica não contar com estes recursos, não por negligencia e falta de generosidade nossa, mas sem nossa culpa, o Divino Salvador fará o necessário para que vençamos sem isto. O exemplo, deram-no os primeiros séculos da igreja: não venceu esta, a Respeito de se terem coligado contra ela todas as forças da terra?

Confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo, confiança no sobrenatural, eis outra lição preciosa que nos dá o Santo Natal.

* * *

E não terminemos sem colher mais um ensinamento, suave como um favo de mel. Sim, pecamos. Sim, imensas são as dificuldades que se nos deparam para voltar atrás, para subir. Sim, nossos crimes e nossas infidelidades atrairão sobre nós a cólera de Deus. Mas, junto ao presépio, temos a Medianeira clementíssima, que não é juiz mas advogada, que tem em relação a nós toda a compaixão, toda a ternura, toda a indulgência da mais perfeita das mães.

Olhos postos em Maria, unidos a Ela, por meio dela, peçamos neste Natal a graça única, que realmente importa: o Reino de Deus em nós e em torno de nós.

Todo o resto nos será dado por acréscimo.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Anchieta, varão virtuoso e santo



No artigo anterior – Grandeza e bem-estar dos povos – procurei realçar a diferença entre a catequese dos missionários “aggiornati” e a dos missionários dos tempos de Nóbrega e Anchieta, cuja missão era converter os índios para a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e, assim, abrir-lhes as portas da salvação.

Enquanto hoje os “moderninhos” acusam aqueles desapegados e santos de ter colaborado para a desagregação, marginalização, destruição e morte de nossos silvícolas, na verdade Anchieta e seus companheiros catequizadores os conduziam à prática da Lei de Deus, fundamento da grandeza e do bem-estar dos povos.

Pelo fruto se conhece a árvore. Onde estão os frutos do CIMI – Conselho Missionário Indígena? Para D. Tomás Balduíno, ex-presidente desse órgão da CNBB, “os índios são os verdadeiros evangelizadores do mundo.” E prossegue: “(Nós) vamos a eles sabendo que o Cristo já nos antecedeu no meio deles, e que lá estão as ‘Sementes do Verbo’”.

Ele vai além, ao dizer que tem a “convicção de que eles vivem o Evangelho da Bem-Aventurança. E de que por isso se impõe a nós uma conversão às suas culturas (…). E a partir dos mais marginalizados e oprimidos ela se torna a Boa Nova Universal, com valor de profecia para todos os homens”.

Anchieta, homem virtuoso e santo, via com outros olhos as ditas “culturas” de D. Tomás Balduíno, pois empregou todos os meios ao seu alcance para arrancar os índios dos vícios. E, ao mostrar-lhes a moral católica, queria que eles abandonassem a antropofagia, a poligamia, o infanticídio, os falsos cultos e o homicídio voluntário.

Com efeito, os ensinamentos do Evangelho podem ser adaptados à psicologia e às peculiaridades de cada povo, mas a substância de seu preceito é imutável, porque foi comunicada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, não podendo nenhum homem, por mais importante que seja, mudá-lo. Por quê?

Porque ao mandar ensinar todas as gentes, Jesus Cristo colocou uma cláusula: a de proceder em tudo como Ele ensinou, sem alterar seus divinos ensinamentos. Se os missionários de hoje pregam uma “releitura” do Evangelho, os de outrora procuravam ser perfeitos como o Pai celestial é perfeito, pois christianus alter Christus – o cristão é outro Cristo.

Este mesmo anseio de fidelidade e perfeição levou o Pe. Anchieta a dar grandes provas de seu amor a Deus. Por exemplo, ao conclamar em 1560 uma bem-sucedida cruzada de portugueses e nativos contra os invasores franceses liderados por Villegagnon que pretendiam fundar a França Antártica no Rio de Janeiro.

Agindo assim, o Apóstolo do Brasil visava formar uma nação com vida própria, com a plenitude de vida dos homens que a compõem, conscientes das próprias responsabilidades e convicções. Para isso, nada melhor que difundir a doutrina e a lei de Jesus Cristo e do magistério da Igreja Católica.

Anchieta formou um povo com autonomia de decidir e gerir seus próprios negócios em conformidade com a lei moral e divina. Ele não mediu esforços em sua catequese. Até do teatro se valeu para ensinar. Construiu inúmeras igrejas e colégios, realizou inúmeros milagres com o fim de civilizar povos bárbaros.

Ao longo de nossa costa, sobretudo onde o Apóstolo do Brasil catequizou e civilizou, há sinais indeléveis de seus grandes feitos. Entre outros, a fundação da cidade de São Paulo.


Pe. David Francisquini é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira-RJ

Igreja agiliza processo de canonização do Beato José de Anchieta

Por OESP

O processo de canonização do beato José de Anchieta, que parecia parado à espera de um milagre, está sendo acelerado, após a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ter mandado uma carta a Francisco pedindo que o Apóstolo do Brasil seja declarado santo.

O papa não respondeu à carta assinada pelo cardeal-arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, D. Raymundo Damasceno Assis, mas deu sinal verde para a Companhia de Jesus apressar a documentação necessária. O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, pediu que seja encaminhada, no mais breve tempo possível, a Positio, texto com a biografia de Anchieta, uma relação de prováveis milagres e provas de fama de santidade.

"O cardeal Amato pediu as mesmas informações ao postulador geral, padre Anton Witwer, sobre dois missionários do Canadá, que foram beatificados com José de Anchieta, em 1980", disse um dos vice-postuladores, padre Augusto César dos Santos. Jesuíta e responsável pelo Serviço Brasileiro da Rádio Vaticano, ele trabalha na preparação da Positio em Roma, enquanto outro vice-postulador, padre Nilson Maróstica, atua no Brasil, recolhendo relatos sobre graças alcançadas.

"Recebemos dezenas de cartas, de todas as regiões do País, pois a devoção ao beato José de Anchieta é muito grande", revela padre Nilson. Essa devoção comprova a fama de santidade, argumento que atualmente pesa mais do que a exigência de milagre para a canonização.

Anchieta nasceu nas Canárias. Filho de pai basco e mãe descendente de cristãos novos ou judeus convertidos, teria deixado o arquipélago para fugir da Inquisição, porque em Portugal a perseguição contra os judeus era menos rigorosa do que na Espanha. Entrou para a Companhia de Jesus em 1551 e, dois anos depois, desembarcou na Bahia. Noviço, participou, em 25 de janeiro de 1554, da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, berço da capital paulista. Morreu em 1597, no Espírito Santo, onde está sepultado.

Logo após sua morte, a notícia de suas virtudes heroicas chegou a Roma e, em 1624, o papa Inocêncio X autorizou a abertura da causa de beatificação. No século seguinte, quando o Marquês de Pombal iniciou uma perseguição aos jesuítas, todos os processos foram suspensos. A causa de Anchieta só foi retomada em 1875. Nas décadas seguintes, o Brasil recorreu ao papa Paulo VI para pedir a beatificação, que saiu só em 1980, com decisão de João Paulo II.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PLC 122 é “sepultada” pelo Senado e irá tramitar em conjunto com o novo Código Penal


Na tarde dessa terça-feira (17), o Plenário do Senado aprovou um requerimento do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), para que a PLC-122/2006, proposta que ficou conhecida como “lei da homofobia”, seja apensada ao projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012). Dessa forma, a PLC-122 passaria a tramitar junto com a reforma PLS-236, tendo suas discussões e votações unificadas.

A Casa aprovou o requerimento com 29 votos favoráveis, 12 contrários e duas abstenções, para que o projeto que criminaliza a discriminação de homossexuais (PLC 122/2006) tramite junto com o projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012). Com isso, o projeto que está na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa passará a ser examinado na Comissão de Constituição e Justiça, onde tramita o projeto de reforma do Código Penal.

O senador Paulo Paim (PT - RS) se posicionou contrário a junção, pois enfraquece o debate sobre a homofobia como crime. Já o senador Magno Malta (PR-ES) argumentou que o projeto depende da tipificação desse crime no Código Penal, e que será feita uma "discussão decente".

Eduardo Lopes explicou seu requerimento afirmando que não há sentido para que as propostas tramitem separadamente, visto que tratam de assuntos correlatos. O senador Magno Malta (PR-ES) manifestou apoio a Lopes afirmando que a criminalização da homofobia depende da tipificação desse crime no Código Penal, o que justifica tal apensamento.

O apensamento da proposta foi bem recebido entre críticos da PLC-122, como o articulista cristão Paulo Teixeira, que comentou a aprovação do requerimento de Eduardo Lopes como o “sepultamento” da PLC-122.
"Com o sepultamento desse famigerado projeto de lei, as famílias brasileiras estão livres de mais um projeto que visava implantar a ditadura gay" – comentou Teixeira.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Vivamos um Natal sem hipocrisia



Mais uma vez, nos aproximamos do Natal. Outrora se dizia Santo Natal, mas chamar o Natal de Santo hoje é propriamente um disparate.

Porque o Natal hoje é sinônimo de boas vendas, luzes frias e postas sem sentido enchem as ruas e shoppings. Balconistas esboçam sorrisos interesseiros para conquistar clientes. O grande astro é o Papai Noel, marketeiro ateu. Os brinquedos já não são inocentes, nem maravilhosos, mas reproduzem frequentemente seres horríveis da TV ou do cinema. As pessoas viajam e se largam, se desabotoam, nos ambientes ondem vivem as festas. Come-se demais, bebe-se demais, veste-se de menos, relaxam-se os costumes e as maneiras. Nada de sobrenatural, nada de elevação, nada de piedade autêntica. Excessos se sucedem nos dias de comemoração, antecedendo a frustração da volta para casa. Buscou-se em tudo o maior prazer, mas não foi encontrado. Uma sensação de fracasso invade as almas. Após a chegada em casa, a marcação de consulta ao psicólogo, ao psiquiatra, para sair da depressão.

Sobretudo Aquele que é a razão do Natal ficou completamente esquecido. Para esses, Deus, o Salvador, o Redentor em nada lhes é sensível e está completamente ausente. São os hipócritas. Comemoram o aniversário sem dar a menor importância ao aniversariante

Porém, felizmente há outros que sabem como viver adequadamente a grande festa.

Recolhidos, cheios de gratidão pela vinda do Messias, contemplam o Menino Jesus, Verbo de Deus encarnado, que dorme numa pobre manjedoura, guardado por Nossa Senhora e São José. Lembram-se esses de agradecer o bem infinito da redenção. Lembram-se que essa redenção foi a maior prova de amor que Deus pode demonstrar por suas criaturas. Sentem-se por isso felizes por pertencerem a esse Deus infinitamente bom, e procuram expressar-Lhe sua profunda união.

Rezam e meditam, sim, mas também comem e bebem com equilíbrio, comportam-se como seres nos quais a alma predomina e rege todos os seus atos. Uma temperança mantem nos devidos limites tudo o quanto fazem. Por isso, no final, não se sentem frustrados, mas elevados; não se sentem desarranjados, mas ordenados; não se sentem tristes, mas felizes. Viveram o Santo Natal e, pelo favor de Nossa Senhora, receberam graças que os aproximaram ainda mais do seu Criador que veio ao mundo para redimi-los.

Esse é um Natal sem hipocrisia, cheio de autêntico amor, de união e verdadeira paz. Assim devemos viver o Santo Natal.

Desejamos a nossos leitores um Santo Natal e um Ano Novo repleto de graças que se estendam por todo 2014.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

URGENTÍSSIMO!!!! O PLC 122 voltará à pauta nesta semana!

Recebemos a mensagem abaixo do site Citizen Go e compartilhamos com nossos leitores.

***
Nesta quarta-feira, dia 04/12, o PLC 122 será votado outra vez! Na semana retrasada, o projeto foi retirado da pauta por causa da pressão feita por todos os que defendem a vida, a família e a verdadeira liberdade. Porém, o lobby LGBT pressionou o governo nas duas últimas semanas para que o projeto fosse votado o mais rápido possível. Portanto, é necessário fazer pressão para que o projeto seja arquivado!

Se você já assinou a campanha, divulgue-a para pessoas que ainda não assinaram. Se você ainda não assinou, clique no link e assine agora:

Clique aqui e assine a petição pedindo o arquivamento deste infame projeto

Qual é a malícia desse projeto? Foram incluídos no projeto os termos “gênero”, “identidade de gênero” e “orientação sexual”, que são perigosíssimos. A palavra “gênero”, segundo os ideólogos da ideologia de gênero, deve aos poucos substituir o uso corrente de palavra “sexo” e referir-se a um papel socialmente construído, não a uma realidade que tenha seu fundamento na biologia. Desta maneira, por serem papéis socialmente construídos, poderão ser criados gêneros em número ilimitado, e poderá haver inclusive gêneros associados à pedofilia ou ao incesto. É o que diz, por exemplo, a feminista radical Shulamith Firestone: “O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de fato desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas” (trecho retirado do livro A Dialética do Sexo). Ora, uma vez que a sexualidade seja determinada pelo “gênero” e não pela biologia, não haverá mais sentido em sustentar que a família é resultado da união estável entre homem e mulher.

Se estes novos conceitos forem introduzidos na legislação, estará comprometido todo o edifício social e legal que tinha seu sustento sobre a instituição da família. Os princípios legais para a construção de uma nova nova sociedade, baseada na total permissividade sexual, terão sido lançados. A instituição familiar passará a ser vista como uma categoria “opressora” diante dos gêneros novos e inventados, como a homossexualidade, bissexualidade, transexualidade e outros. Para que estes novos gêneros sejam protegidos contra a discriminação da instituição familiar, kits gays, bissexuais, transexuais e outros poderão tornar-se obrigatórios nas escolas. Já existe inclusive um projeto de lei que pretende inserir nas metas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional a expressão “igualdade de gênero”.

O PLC 122 ainda tem outra armadilha: se for aprovado no Senado, o que acontecerá? O projeto voltará para a Câmara dos Deputados, onde estes, em grande parte membros da base governista, poderão manter as modificações feitas no Senado ou rejeitá-las. Se as rejeitarem, o PLC 122 voltará ao seu estado original, que está cheio de ameaças e punições, e poderá seguir diretamente para a aprovação da presidente Dilma Rousseff.

Algumas das consequências da aprovação dessa lei: se algum kit gay for distribuído para os seus filhos, você não poderá recorrer a seu direito de educá-los para evitar eles recebam esse conteúdo nas escolas; ninguém poderá manifestar publicamente uma opinião discordante sobre qualquer ato homossexual; a Ideologia de Gênero passará a fazer parte do dia-a-dia escolar das crianças brasileiras, etc.

Diante dos riscos que a aprovação desse projeto traria para a sua liberdade de expressão e de ação, para a família e para a educação dos seus filhos, a única alternativa é arquivá-lo definitivamente. Envie agora um e-mail aos senadores pedindo o arquivamento desse projeto de lei. Aja agora e defenda a família, célula básica da sociedade, e a liberdade dos brasileiros. Clique no link abaixo para assinar a petição, se você ainda não tiver assinado. Se você já assinou, envie para as pessoas que ainda não assinaram:

Clique aqui e assine a petição pedindo o arquivamento deste infame projeto

Não deixe de divulgar a petição para todos os seus contatos, pois o tema é grave e temos pouquíssimo tempo para mostrar aos senadores que o projeto é malicioso e deve ser arquivado! Na mobilização da semana retrasada, vimos que o esforço em conjunto teve um efeito positivo. Não podemos desistir da defesa da vida, da família e da liberdade!

Contamos com sua cooperação!

Atenciosamente,

Guilherme Ferreira e toda a equipe de CitizenGO


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Para mais informações sobre o perigo da Ideologia de Gênero acesse: http://www.votopelavida.com/agendagenero.pdf

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Encontro Nacional de Mulheres 2013

Tradução: Blog Cruz Inabalável

Indignante e lamentável. Essas são as palavras com as quais se pode definir o final do Encontro Nacional de Mulheres deste ano. Milhares de pessoas marcharam pelas ruas "San Juaninas" e terminaram em um ato de provocação e agressão na porta da Catedral, em frente à praça 25 de Maio.

Enquanto em uma parte da rua, um grupo de mulheres queimava uma figura do Papa Francisco, outras giravam gritando ao redor de uma fogueira e um número maior buscava o enfrentamento com uma fila de católicos que, unidos em oração, tentavam evitar que as possessas feministas entrassem na Catedral.

A resistência católica era composta por mais de cem homens vindos de diferentes pontos do país que se uniram em um abraço e não permitiram a profanação da Catedral.

Debaixo de gritos como "Os que proíbem o aborto são padres pedófilos!" ou "existem estupradores nesses escalões" as mulheres, muitas com seus dorsos desnudos, empurravam e agrediam aos fiéis católicos. A violência chegou ao ponto de se lançar um jato de spray em um dos jovens que formavam a parede humana. Ao mesmo tempo que se pode notar nos vídeos as agressoras tentando bater e acariciar as partes íntimas dos católicos que evitaram, rezando o Rosário. Segue o vídeo.

Atenção: Tanto o vídeo quanto as fotos disponíveis no site do Diario La Provincia, não tem qualquer tipo de censura, e devem ser assistidos com o máximo de cuidado. As agressões sofridas pelos católicos que tentam defender suas Catedrais da profanação por parte dessas desgraçadas, vão aumentando de intensidade a cada ano. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

“Lei da homofobia” (PLC 122) gera fobia no Senado


O PLC 122/2006, mais conhecido como “lei da homofobia”, está uma verdadeira batata quente nas mãos dos membros da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Cada vez que é posto em pauta, gera-se uma discussão nacional, a pressão aumenta, e o projeto tem de ser postergado novamente. Foi o que aconteceu na quarta-feira passada, 20/11, como veremos adiante.

Segundo muitos, o projeto, se aprovado, vai gerar uma crise de consciência na Nação. Uma mãe poderá ser presa por discriminação, caso se negar a contratar uma babá para seus filhos, após saber que a candidata é lésbica. Ora essa! A mãe não tem liberdade de escolher o rumo da educação dos seus filhos? É a pergunta que muitos grupos de pressão levantam.

Outros ainda apontam para o risco de uma perseguição religiosa, pois o ensino da doutrina cristã a respeito do homossexualismo ficará restrito só, e somente só, ao interior dos templos. Quem falar alguma coisa de público, ainda que pacificamente, pode pegar até 5 anos de cadeia. Há também os que denunciam que o projeto cria uma casta de privilegiados intocáveis: o movimento homossexual. E torna as crianças vulneráveis à sua propaganda.

O advogado Guilherme Martins, membro do IPCO, 
esteve presente no Senado durante a votação, 
que foi retirada da pauta.
Enfim, seja como for, esses protestos vindos de todo o Brasil já estão gerando “fobia” nos Senadores. Se aprovam o projeto, a opinião pública reage e pode mudar o rumo da próxima eleição. Se não aprovam, as ONGs do movimento homossexual urram, e o governo pressiona.

Um dos principais movimentos que se levantou contra o projeto foi o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, que criou um sistema de protesto online contra a “lei de homofobia” (PLC 122), chegando a enviar 3.449.345 e-mails vindos de todo o Brasil. O resultado foi protocolado no Senado.

Na última quarta-feira, dia 20/11, um dos membros desse Instituto esteve no Senado e nos relatou como foi a votação do projeto. Logo no início da sessão em que o projeto deveria ser votado, um dos senadores se voltou para o relator, Sen. Paulo Paim (PT-RS), e disse:

- Então, Paim, sai a votação ou não?

- Eh… O assunto polêmico já foi tirado de pauta. Consultei os demais senadores, e saiu um acordão… – respondeu o relator.

Parece que a “lei de homofobia” está gerando fobia nos Senadores… e terão de esperar mais um pouco, esperando a batata esfriar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Jovens rezam o terço e interrompem cerimônia inter-religiosa na Catedral de Buenos Aires. Papa Francisco lamenta “fanatismo”.

Tradução: Fratres in Unum

Um grupo de jovens católicos argentinos, formado principalmente por fiéis da Fraternidade São Pio X, repetiu o ato ocorrido em 2010 na Catedral de Paris e interrompeu, no último dia 12, uma liturgia inter-religiosa entre católicos e judeus na Catedral Buenos Aires. A cerimônia recordava a Kristallnacht e ocorre há mais de uma década na capital argentina, sendo, até o ano passado, organizada sob o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio.

"Quando o padre Fernando Gianetti, guru e executor há quinze anos do projeto que agora chega ao seu cume, dirigia as palavras de início da liturgia comemorativa da Kristallnacht, começou-se a ouvir suave, mas firmemente, o desfiar das contas do Santo Rosário nas vozes de cinquenta jovens situados na parte central da Catedral da Santíssima Trindade.
Dois quase garotos se dirigiram até o presbitério, onde oito líderes religiosos (dois a mais do que no ano passado), estavam de pé, à direita e à esquerda do arcebispo de Buenos Aires, D. Mario Aurelio Poli.
Após fazer uma genuflexão, um deles deles lhe entregou um papel e ambos fizeram que o mesmo chegasse aos demais.

Os gestos de agradável surpresa que ao receber o escrito tomavam as faces, foram se transformando em sorriso nervoso na medida que o sentido da visão informava ao cérebro o conteúdo da missiva.

Nesse instante, uma pessoa subiu ao presbitério e, colocando-se próximo aos microfones, dirigiu a seguinte mensagem: 
“Pedimos a todos, por favor, que tenham em consideração que este é um tempo católico e que este é um ato de profanação que deve ser evitado. Não temos problemas com as recordações históricas que se realizam em locais históricos. No templo santo de Deus, onde vive o Santíssimo, não pode haver uma profanação; e os que conhecem (aqui o microfone foi cortado) as religiões sabem que as profanações ofendem o mundo e a Deus… Diante do Nazareno e diante do Crucificado. Vão [embora] e acabem com esta profanação. Não é possível. Rezem o rosário e honrem a Deus”.

O arcebispo pediu, através do padre Gianetti, que os jovens que estavam rezando o Rosário se retirassem. O que gerou um aplauso, a partir do qual o ruído intenso se instalou dentro da catedral e que durou quase meia hora. Era o ruído das repreensões e diatribes dirigidas aos jovens que rezavam sem revidar.
 Algumas pessoas encostavam nos jovens orantes, alguns para tentar convencê-los a ceder em seu empenho, outros para insultá-los com os mais duros epítetos: loucos, fundamentalistas, reacionários, nazistas.  
Outro chegando à agressão física, como um devoto de quipá que hostilizou longamente pelas costas a um dos sacerdotes que acompanhavam o grupo: 
Mas pareceu particularmente surpreendente o furor demonstrado pelo deputado Eduardo Amadeo, que dizem ser pertencente à Comunidade de Santo Egídio, que realizou atos que podem ser considerados intimidatórios, como tirar repetidas fotografias a poucos centímetros de cada rosto, gritar com uma criança, ao mais caro estilo dos serviços de inteligência: “De que colégio são, de que colégio são?”, ou gritar a alguns adolescentes: “Miseráveis nazistas”. Como é possível que um homem que ocupa tão elevado cargo chegue a esse extremo?
[...] 
Pois é necessário advertir aqui que os convidados, tanto cristãos dissidentes como judeus, caíram sem querer no meio de uma discussão interna da Igreja. Debate tão intenso e agudo que está chegando à configuração de dois “partidos”, com doutrinas e liturgias diferentes, que são cada vez mais estranhos um ao outro. Um é o da Igreja das promessas, e outro é o da “igreja” da publicidade, como as chamou há muitos anos o padre Meinvielle, mestre do atual arcebispo de Buenos Aires. 
Uma acredita, como acreditou invariavelmente desde o início, que o único caminho de salvação é o Batismo; pois o mesmo Mestre o ensinou infalivelmente: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todos os homens. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer se condenará” (Mt: 16, 15). 
Apesar destas palavras, contra as quais nada há a fazer, e do dogma antes referido, “fora da Igreja não há salvação”, a igreja da publicidade desenvolveu nos fatos a doutrina não escrita das múltiplas vias de salvação. Cada um se salva em sua religião e ainda, por que não, sem crer em Deus. O que é absolutamente condenado pela doutrina católica. 
Os convidados do Arcebispo de Buenos Aires mereciam ser recebidos com respeito e cordialidade; mas o erro consistiu em convidá-los para a realização de uma liturgia acatólica, que de modo algum pode ser celebrada em uma Igreja, a não ser que pertença… à igreja da publicidade. 
É certo que um judeu ortodoxo compreenderia muito bem que um católico não aceite uma liturgia inter-religiosa, pois ele tampouco a aceitaria. Mas a maioria dos convidados do sr. Arcebispo pertenciam ao reformismo judeu, que pensa diferente.
Seria conveniente desculpar-se junto a eles pelo mal pedaço, tentando fazer-lhes compreender que, in extremis, o respeito aos direitos de Deus está acima dos respeitos humanos.
Continuando a nossa crônica, os jovens da Catedral terminaram o Santo Rosário, apesar da pressão ao seu redor, e depois, se retiraram por iniciativa própria, e não pela força policial, como disseram alguns meios. 
Ocorreu inclusive o milagre de que o Pe. Gianetti, pedindo a paz aos presentes desde o ambão da catedral, rezasse algumas Ave Marias no microfone, o que não estava previsto na Liturgia de Comemoração. 
Esta liturgia, já o dissemos, é evidentemente religiosa, com o acréscimo de que nela subjaz a idéia herética de que o holocausto pode ser equiparado ao Sacrifício da Cruz, um para a salvação dos judeus e outro para a dos cristãos; por isso alguns pensadores a chamam de heresia Judaico-Cristã. 
Idéia que se evidencia na análise dos textos empregados, mas que nem todos podem captar. Não nos equivocaríamos demais se pensássemos que a maioria das pessoas que estavam na Catedral não são conscientes desta realidade, que torna totalmente inaceitável essa realização litúrgica no lugar santo. 
Ao retomar a cerimônia, após a oração do Rosário rebelde, o Arcebispo de Buenos Aires disse que a celebração da liturgia “é o que quer o Papa”.
Em declarações divulgadas hoje pelo diário argentino La Nacion, Claudio Epelman, diretor executivo do Congresso Judeu Latino-americano, relatou as palavras do Papa Francisco em encontro do qual participou, ontem, no Vaticano, juntamente com líderes das principais religiões na América Latina. Segundo Epelman, o Papa ”citou o ocorrido na Catedral como um ato de fanatismo. Disse que a agressão não pode ser um ato de fé e que a pregação da intolerância é uma forma de militância que deve ser desterrada”. O líder judeu contou que, após a apresentação de cada um, “o Papa tomou a palavra e se referiu à importância do trabalho inter-religioso e logo ao fundamentalismo religioso, e recordou o episódio da Catedral Metropolitana”. E relatou as seguintes palavras do Papa: “A única coisa com que devemos ser intolerantes é com a cultura do paganismo em termos de modernidade”, e citou o valor que se dá ao dinheiro. Esteve presente também no encontro o Cardeal brasileiro Dom Raymundo Damasceno Assis.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Brasil nos passos da China: Governo decide monitorar sites que não se alinham com suas posições – Reaja agora!

O título acima poderá ser verdadeiro se os deputados aprovarem o “Marco Civil da Internet”
Leia as informações abaixo e mande seu protesto fácil e rápido à Câmara dos Deputados

Apesar de todos os males causados por meio da internet, uma coisa é positiva: através dela têm-se reunido os que se preocupam com o rumo que vão tomando os acontecimentos no Brasil. Grupos ou indivíduos que defendem a família, que lutam contra o aborto e contra a crescente onda de totalitarismo e controle estatal abusivo, estão ameaçados de perder gradualmente seu ponto de encontro habitual. Falo do chamado “Marco Civil da Internet”, promovido a toque de caixa pelo governo federal, através de seu Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e de sua bancada de parlamentares. Está tramitando agora na Câmara dos Deputados.

Como diz esclarecedor artigo do Pe. Lodi, “o Projeto de Lei 2126/2011, enviado à Câmara pela Presidente da República, pretende ser um "marco" na Internet. Não um marco penal, definindo crimes e penas. Por enquanto, apenas um marco "civil", estabelecendo "princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil". No futuro, o governo pretende criar o "marco penal".(...) A aprovação do Marco Civil pode ser um passo importante para que a Internet, seu conteúdo e seus usuários fiquem controlados pelo governo petista.”

Muitos ainda se recordam do que aconteceu às vésperas da eleição de 2010. As esquerdas já comemoravam uma vitória certa da então candidata Dilma Rousseff no primeiro turno, o que não se deu devido ao temor de uma aprovação do aborto na gestão da candidata petista. Sua campanha eleitoral precisou, após o primeiro turno, acalmar as reações pró-vida para alcançar o êxito no segundo turno. E tudo se deveu, segundo a própria candidata do PT, "ao submundo da política", que através da internet espalhava "boatos" de que a candidata tinha posição favorável ao aborto. (29/09/10)¹

Será esse “submundo” que o governo agora deseja eliminar, para evitar futuras reações surgidas em virtude do seu frágil “calcanhar de Aquiles”, a internet? Por aí se entende a necessidade de criar-se uma “Bota de Ferro” que regule a internet para proteger de suas vulnerabilidades...

Veja os pontos abaixo, que constam do projeto:

Art 2º “A disciplina do uso da Internet no Brasil tem como fundamentos:
I – o reconhecimento da escala mundial da rede; [enigmático!]
II – os direitos humanos e o exercício da cidadania em meios digitais; [como sabemos, ‘direitos humanos’ no linguajar esquerdista quer dizer ‘aborto, lei da homofobia, mordaça aos cristãos nos temas que interessem ao governo, etc. Tudo isso está bem explícito no Programa Nacional de Direitos Humanos – 3, decretado pelo Presidente Lula e pela então ministra da Casa Civil...]
III – a pluralidade e a diversidade. [mais uma vez esses vocábulos, no linguajar das esquerdas, referem-se à defesa da agenda homossexual.]

Proteste aqui, clicando para mandar já um e-mail aos DEPUTADOS pedindo que não caiam na armadilha do governo de controlar e amordaçar toda reação à onda crescente de imoralidade e totalitarismo.

É interessante notar o que diz o editorial do jornal americanoFinancial Times(11/11/13)² sobre o dito “Marco Civil da Internet” brasileiro: “(...)E também faria mal à liberdade da Internet mundial. O mundo está dividido entre os países, liderados pelos Estados Unidos, que defendem uma Internet livre, e aqueles --como China, Rússia e Irã-- que mantêm intranets nacionais a fim de ajudar a garantir o controle político.”

Não estará montada uma estratégia do atual governo para gradualmente impedir a ação dos grupos que denunciam, dentro da lei, as medidas totalitárias e contrárias à família?

Brasileiro, cuidado! Brasileiro, atenção!

Em menos de dois minutos, sua mensagem estará enviada. Faça já sua parte, clicando aqui.

P.S.: Para ter uma noção mais abrangente dos perigos do “Marco Civil da Internet”, sugerimos a leitura do artigo do Pe. Lodi da Cruz, em: http://naomatar.blogspot.com.br/2012/12/o-perigo-do-marco-civil.html

Notas:
¹ Cfr. Senado notícias, dia 30/09/2010.
² Tradução publicada na Folha Online, dia 12/11 p.p.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O V Centenário do Descobrimento da América 1992 - Desfile da Fidelidade



Bráulio de Aragão

Nuvens esparsas acumula­vam-se nos céus da capi­tal paulista, naquela tar­de de sexta-feira, 3 de janeiro. Na fisionomia dos transeuntes, notava-se certo imponderável de expectativa e insegu­rança.

— "Será que vai chover?" pergunta­vam-se muitos, preocupados com as trombas d'água que costumam cair de modo repentino em São Paulo, nos me­ses de verão.

Se o clima físico denotava incerteza, o psicológico não ficava atrás. Há pou­co se transpusera os umbrais do novo ano, e já 1992 surgia carregado de apreen­sões. "Um túnel nos es­pera no final dessa luz", diziam ironicamente os mais pessimistas...

É verdade que a movimentação nas lo­jas era intensa, e que a atmosfera de preocu­pações se diluía um tanto por efeito da bo­nomia habitual dos brasileiros. Por outro lado, como a insegu­rança e a incerteza au­mentam a cada dia num país marcado por crises morais, políticas e econômicas de todo gênero, nosso povo pa­rece ter conseguido a insólita combinação de uma sossegada inse­gurança com uma in­certa tranqüilidade.

Naquele dia, no centro velho de São Paulo, nada fazia crer que alguma novida­de alvissareira viesse alterar o ritmo de vida de uma megalópole moderna.

Apenas uma concentração invulgar de pessoas começava a se formar num ponto importante da cidade. O que será?

No Pátio do Colégio

De todos os lados, homens e mu­lheres, jovens e adultos, afluíam para o Pátio do Colégio, o berço de São Paulo. Sem vozes de comando, como Anjos, por encanto, uma colossal e pacífica manifestação em pouco tempo tomou conta daquela área privilegiada, rica de significado histórico.

Num instante, o cinza da atmosfera poluída cedeu lugar ao rubro de cen­tenas de capas. Ao vento, flutuaram então dezenas de estandartes com o lema Tradição, Família, Proprieda­de, semelhantes aos que já tremula­ram junto à Casa Branca, em Was­hington, e na Praça Vermelha, em Mos­cou, perto do Kremlin, antes mesmo do arriamento definitivo do sombrio pen­dão comunista.

Toques de trompetes, logo seguidos pelo rufar de tambores e bumbos, ecoa­ram pelas extensas galerias de edifícios, atraindo a atenção de todos. Uma parte da cidade parou. As janelas dos escritó­rios e repartições públicas ficaram api­nhadas de gente. Nas ruas, uma multi­dão de curiosos se aglomerou, parecen­do esquecer as incertezas e as preocupações. Até o céu se abriu, e um raio de luz iluminou as fisionomias. Naquele momento, iniciava-se o monu­mental desfile da TFP comemorativo do V Centenário do Descobrimento da América.

"Meu Deus, será que voltamos à Idade Média ?!", exclamava uma senhora ao ver e ouvir a Fanfarra dos Santos, da TFP, cujos componentes trajavam seu uniforme de gala: túnica branca e escapulário marrom, no qual de alto a baixo se destaca uma cruz em forma de espada, a conhecida Cruz de Santiago.

Se os símbolos evocavam o passado, aquele desfile no en­tanto rumava para o futuro. Prova disso é a juventude da maior parte de seus inte­grantes, demonstran­do assim a capacida­de de expansão dos ideais da Civilização Cristã. De fato, ali se concentraram delega­ções de cento e onze cidades da Federação brasileira, e os carta­zes assinalavam a pre­sença de repre­sentantes de dezesseis países das Américas, da Europa, Ásia, Áfri­ca e Austrália.

Sob o Viaduto do Chá

Lentamente, com a solenidade ade­quada às grandes ocasiões, o enorme cortejo partiu, atingiu o Vale do Anhan­gabaú e causou viva impressão aos cir­cunstantes que o observavam de cima, postados ao longo do Viaduto do Chá. Muitos o aplaudiram. Outros, indife­rentes, passavam como se nada vissem. Nem os mais enragés dentre os esquer­distas ousaram vaiá-lo.

"Quem são eles?", indagou uma menina à sua mãe. "Devem ser da TFP, pois só ela é capaz de fazer manifestações assim tão belas!", foi a resposta.

"Viva Fidel Castro!," gritava frene­ticamente um isolado militante petis­ta, que pelo jeito parece ter perdido o trem da História.

Na passarela sob o Viaduto, ouvia-se um grupo de rapazes comentarem admirados a grande formação em far­pa executada pelos jovens da TFP. "Incrível como ainda existe gente conservadora!", aclamava um deles, maravilhado com a beleza policromá­tica da cena.

"Eu não quero só o folheto", dizia outro, dirigindo-se a um Correspon­dente da TFP que distribuía material de propaganda: "vocês não me conse­guiriam também uma capa com o leão dourado?"

Sob o Viaduto do Chá

Na Praça Ramos de Aze­vedo, nas escadarias do Tea­tro Municipal, o desfile fez uma pausa e como por en­canto se converteu nova­mente numa imponente con­centração, na qual a bandei­ra nacional, tendo a seu lado um grande estandarte da TFP, de 9 metros de altura, ocupava o lugar central.

Cânticos, brados e slo­gans reboaram pelos ares. Um deles dizia: "O Desco­brimento da América foi ocasião de alegria e gló­ria para a Igreja e a Cristandade; homena­gem das TFPs america­nas aos Papas, aos Mo­narcas, aos Descobrido­res e aos Missionários propulsores do esforço evangelizador e civiliza­dor".

Ecoou então o inconfun­dível acorde inicial do Hino Nacional, executado pela Fanfarra dos Santos Anjos e ouvido numa po­sição de respeito.

Um discurso histórico

O encerramento do desfile deu-se na Praça da República, com um vibrante discurso pronunciado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, de elogio à epopéia dos Descobrimentos e à ação evangeli­zadora da Igreja nas Américas.


Ao se referir à força da Tradição, suas ardorosas palavras alcançaram grande ressonância nos presentes, acendendo nos corações o fogo sagrado da fideli­dade aos valores perenes da Civilização Cristã. Por isso, bem se poderia dizer que aquele magno evento teve por nome: Desfile da Fidelidade.

Tal era ali a identidade de princípios e sentimentos com o passado católico que, do fundo dos séculos, pareciam soprar uma vez mais os ventos de he­roísmo e dedicação à Santa Igreja que outrora enfunaram as velas das naus de Colombo e de Cabral. Ventos da Histó­ria que continuam a soprar e a impelir rumo ao terceiro milênio os estandartes da Tradição, Família e Propriedade!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Isso não é tolerância: Mulher ataca campanha pacífica pelo Casamento Verdadeiro


Vídeo - O que os americanos realmente pensam sobre o casamento homossexual?


Arqueólogos reconhecem: “Pedro está aqui”. A emocionante descoberta dos ossos de São Pedro no Vaticano – III

Continuação do post anterior



Raio de sol bate no Altar da Confissão onde 
estão os ossos de São Pedro, basílica do Vaticano
Em 1950 foi divulgada a grande notícia: o túmulo de São Pedro fora descoberto. O próprio Papa Pio XII fez o anúncio, associando-o ao Ano Santo.

Mas explicava-se que, segundo o modo como os ossos foram encontrados, não se podia concluir se eles seriam ou não do Apóstolo.

Ao par do grande júbilo, houve muitos protestos dos meios científicos, que solicitavam, um exame rigoroso de todos os ossos, descobertos na pequena abertura em forma de Λ na parede do túmulo de São Pedro, por algum grande especialista.

Afinal em 1956, Pio XII concordou, e foi nomeado o Dr. Venerando Correnti, um dos maiores antropólogos da Europa.

O trabalho foi lento e difícil, pois faltavam vários ossos importantes. A conclusão, em 1960, constituiu uma sensacional decepção: tratava-se de ossos de três pessoas – dois homens de meia idade e uma mulher idosa.

E junto, encontravam-se vários ossos de animais. Todos antiquíssimos, talvez do século I.

Para os arqueólogos, a situação se explicava: como as leis romanas proibiam a remoção de ossos de uma sepultura, esses haviam sido encontrados e amontoados no pequeno buraco ao pé do nicho.

Raio de luz natural ilumina a urna com 
os ossos de São Pedro, Vaticano
Apenas para completar os estudos, o dr. Correnti verificou rapidamente os demais ossos das tumbas próximas.
Ao analisar os ossos encontrados na cavidade revestida de mármore, da parede dos grafitos, chamou-lhe a atenção o estado de conservação, estando a maioria bem branca.

Dada sua grande antiguidade decidiu estudá-los melhor. Eram 135 ossos sendo que poucos estavam inteiros. Constatou que provinham de um só indivíduo, do sexo masculino, de físico robusto e falecido entre os 60 e 70 anos.

Antes de estar na cavidade marmórea eles estiveram enterrados na terra nua, mas depois, durante muito tempo, permaneceram bem protegidos e envoltos por tecidos purpúreos, que mancharam um pouco alguns.

Ao tomar conhecimento dessas conclusões, a dra. Guarducci ficou sobressaltada. Ela revelou que a expressão grega “Πέτροσ ἔνι” ecoava continuamente em sua cabeça.

Seriam essas as relíquias de São Pedro?

Não é a única explicação possível para o “Pedro está aqui”? E para a misteriosa cavidade?

Todos os dados confluíam para essa teoria. A razão do esconderijo seria evitar profanações.

O dr. Correnti logo apoiou a tese da dra. Guarducci, e ambos obtiveram de Paulo VI, que havia sido eleito recentemente, permissão para reabrir as pesquisas.

O teste crucial foi o dos fragmentos de terra existentes nos ossos. Sua composição química revelaria se era a mesma terra que se encontra no piso do túmulo vazio de São Pedro.

Uma circunstância tornava esse teste particularmente importante: a terra do túmulo é de tipo calcária argilosa, bem diferente da que se observa em toda a região vizinha, inclusive dos túmulos próximos.

O nome de São Pedro inscrito numa pedra recuperada nas excavações
Conclusão do exame: a terra é a mesma do túmulo de São Pedro.

O tecido purpúreo foi examinado. Seria púrpura autêntica? E seria romana?

Só os membros da alta nobreza romana podiam usar a púrpura verdadeira, cuja fabricação era um rigoroso segredo de Estado. Os demais ricos usavam, uma imitação.

Hoje a composição química de ambos os tipos é conhecida. Outra particularidade: a púrpura com fios de ouro era de uso exclusivo da família imperial em raras ocasiões.

Resultado do exame: era púrpura romana verdadeira, decorada com finíssimas placas de ouro. E os fios que estavam junto aos ossos eram fios de ouro.

Este foi um argumento essencial a favor da teoria da dra. Guarducci, pois como a cavidade marmórea foi considerada como já existente na época constantiniana, ficava claro que o Imperador autorizara envolver as preciosas relíquias na púrpura imperial.

Antes de publicar novos estudos, cinco renomados especialistas independentes verificaram tudo o que havia sido feito e deram-se por satisfeitos.

Mas, quando foi dada a público a nova teoria, levantou-se um grande vozerio em certos meios científicos.

Este era explicável, pois, para preservar o bom nome dos arqueólogos e de Mons. Kaas, a dra. Guarducci procurou cobrir com um manto o incrível episódio do eclesiástico ao recolher os ossos sem avisar aos membros da equipe.

Também impugnou-se o exame do tecido, exigindo-se algo mais rigoroso. E, sobretudo, argumentava-se que não havia nenhuma prova que demonstrasse não ter sido violado o repositório marmóreo.

Vista da cripta com os ossos de São Pedro numa urna
Assim nova série de pesquisas foi iniciada. O exame mais rigoroso dos tecidos feito na Universidade de Roma, confirmou os resultados anteriores.

E Paulo VI autorizou a se abrir o repositório, para confirmar se ele datava da época de Constantino e se não fora violado. A dúvida surgiu porque fora encontrada uma moeda do início da Idade Média no local.

Uma equipe desmontou a parte de baixo da parede azul dos grafitos, a fim de penetrar no repositório sem tocar nas paredes e no teto.

Tudo foi examinado minuciosamente, e a conclusão foi que ele fora fechado no século IV, e jamais fora aberto.

Várias moedas foram ali encontradas, tendo penetrado através de fissuras da parede causadas por acomodação do terreno.

Para silenciar definitivamente as críticas novo trabalho foi publicado, relatando as circunstâncias exatas do episódio de Mons. Kaas, acompanhado de documento juramentado do “sampietrini” Segoni.

E a dra. Guarducci rebateu convincentemente a última crítica que ainda pairava: como explicar a remoção dos ossos da sepultura, mesmo por motivos de segurança, uma vez que os costumes romanos não o permitiam?

Na realidade os ossos não foram removidos da sepultura, pois a parede azul é parte integrante dela.

Após algum tempo, certificando-se de que a crítica nada mais de ponderável podia apresentar, e vendo que os novos exames reforçaram singularmente a teoria da dra. Guarducci, Paulo VI, a 26 de junho de 1968, anunciou solenemente ao mundo que, após longos e extensos estudos “as relíquias de São Pedro foram identificadas de um modo que julgamos convincente”.

E, por isso, ele fazia “este feliz anúncio” aos fiéis de todo o mundo.

No dia seguinte, em cerimônia presidida por Paulo VI, as relíquias de São Pedro, guardadas em caixas com tampos transparentes, foram recolocadas no repositório onde haviam sido encontradas.

Confirmando a tradição católica, sobre as relíquias de São Pedro fora edificada a grande Basílica de Constantino, considerada o centro da Cristandade.

E sobre tal Basílica, mil anos depois, ergueu-se a atual Basílica de São Pedro.

Cumpriu-se assim, até de modo físico, a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.

(Autor: Juan Miguel Montes, “Catolicismo”)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

3 de janeiro de 1992 - Discurso diante o Caetano de Campos (São Paulo), ao término do "Desfile da fidelidade"

(Texto integral)

Altezas, Reverendíssimos senhores sacerdotes, minhas senhoras, senhores, é com a maior satisfação que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade em sua cidade sede, que é a cidade de São Paulo, acolhe não só os participantes provenientes das várias partes do Brasil, como dos vários países do Exterior, aqui afluídos para tomar parte nesta manifestação que tem um sentido histórico e atual profundo.

Esse sentido vós bem o conheceis, vós o aclamaste há pouco em eloqüentes palavras de entusiasmo. Esse sentido é bem exatamente o sentido da fidelidade à Tradição.

No momento em que a América, as três Américas comemoram o seu descobrimento e em que uma primeira Missa realizada no solo americano marca também que o descobrimento não se fez apenas segundo um sentido de vantagem material, mas segundo um profundo sentido espiritual de adesão à única Fé verdadeira, a Fé ensinada pela Santa Igreja Católica, Apostólica Romana;

Nesse momento em que, com a implantação da Santa Cruz no território americano e com a celebração da primeira missa, se inicia a epopéia missionária que haveria dar esse imenso continente – segundo os planos da Providência – havia de dá-lo à Igreja e a Nosso Senhor Jesus Cristo;

Nesse momento em que se comemora o fato de que a arrancada civilizadora marca os seus primeiros passos no território americano, chegando à situação de apogeu em que se encontra atualmente;

Neste momento, vozes estranhas se levantam para dizer mau em nome de um passado mais remoto ainda do que o passado desses quinhentos anos atrás, em nome de um passado de paganismo, em nome de um passado de atraso selvagem – para não dizer atraso silvícola – dando uma arrancada no rumo da civilização;
Nesse momento, vozes se levantam para afirmar que o descobrimento foi um desastre para as populações nativas da América, que ele foi um desastre para a história do mundo e mal dizer dos reis católicos, dos monarcas, dos Papas, dos bispos, dos homens que geriram a res civil durante esses quinhentos anos, no sentido de integrar o continente americano na civilização ocidental nascida na Europa.

Não podia deixar de ser que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade levantasse um protesto contra essa tendência que vai ao arrepio de todo o curso da História e que afirmasse num ato solene em que estão presentes representantes dos mais variados países da América e de diversos países da Europa, afirmasse a sua solidariedade e sua solidariedade entusiasmada e convicta à obra missionária realizada pela Igreja Católica no Brasil, como em todo território das Américas, ao longo desse tempo. E ao mesmo tempo proclamasse a segurança de que o futuro da América só tem um sentido: é o futuro da Civilização Cristã. [palmas]

Nosso Senhor Jesus Cristo disse dos sacerdotes que eles eram "o sal da terra e a luz do mundo". Se eles são - e o são - "o sal da terra e a luz do mundo", por excelência, o é Aquele que é o Sacerdote por excelência, que é Ele, Jesus Cristo. E tudo aquilo que se afaste dEle caminha para uma terra sem luz e sem sal, caminha por um caminho que é o descaminho. E o mundo bem teve a ocasião de o ver, quando há algum tempo atrás ruiu a cortina de ferro e os olhos estarrecidos da humanidade puderam contemplar o estado de miséria, de miséria física e de miséria intelectual, de compressão da personalidade humana, de abatimento da dignidade humana, realizado em 70 anos de dominação atéia sobre um dos mais extensos países do mundo.

Aí, se compreendeu bem, quanta verdade tinha Nosso Senhor de dizer, que Ele é o caminho, Ele é a Verdade e Ele é a Vida. E que aquilo que se afasta dEle é descaminho, é erro e é morte. [palmas]
Esse descaminho, este erro e esta morte, não só nós não o desejamos para o Brasil – parte considerável da América – para nenhuma parcela do território americano, mas todos nós que aqui estamos, nos opomos a que isso se realize. E pelo empenho de nossas orações mas também de nossos esforços, de nossa ação pacífica mas persuasiva, de nosso ação indefectível, de nossa ação contínua, havemos de trabalhar e havemos de lutar para que realmente a América em geral e o Brasil em particular sejam Terra de Cristo e Terra de Maria. [palmas]

Já o itinerário que vós seguistes, do Pátio do Colégio até esta praça, é muito significativo e simbólico do nobre propósito que vos move. Com efeito, vossa caminhada pode chamar-se a "Caminhada da Fidelidade".

A caminhada de uma fidelidade que teve início no Pátio do Colégio, naquela primeira célula-mater de São Paulo, quando [São Paulo] era apenas uma aldeola, habitada por portugueses e por índios que os missionários acabavam de introduzir para luz do Evangelho. Quando São Paulo era tão pequena que ela cabia em torno dos limites do atual Pátio do Colégio e toda a sua população cabia na pequena igreja que vós ali vistes, perto da qual recebestes a bênção sacerdotal.

Naquela pequena igreja que a laicidade republicana de 1889, impiamente destruiu, mas que por desígnio de governos posteriores, e pela colaboração da Construtora Adolpho Lindenberg, que talentosamente soube reconstituir a linha e a fisionomia da primeira igreja de São Paulo, se encontra ali o marco da vida religiosa e da vida civil de São Paulo. Daquela pequena São Paulo que haveria de dar nesta cidade que é hoje uma das maiores do mundo, daquela pequena cidade até hoje, o roteiro enorme se realizou. E esse roteiro, vós simbolicamente o percorreste. Porque vós deixastes o Pátio do Colégio e seguistes através de várias vias do Centro antigo de São Paulo, onde se encontram prédios construídos em várias épocas da história paulista. E bem simbólicos de todos esses séculos que São Paulo tem vivido de lá até aqui, vós percorrestes esse caminho portanto, que é o caminho da fidelidade à tradição, até esse lugar aqui onde vós vos reunís para aclamar o vosso propósito de fidelidade à luta pela Civilização Cristã em terras brasileiras e no continente americano bradando: Pelo Brasil! Tradição, Família e Propriedade! [Brado]

Eu estou bem certo, senhoras e senhores, que os passos dos homens na terra repercutem no Céu. E que desde os primeiros momentos em que passos cristãos começaram a pisar este solo e em que a vida sobrenatural começou a se difundir aqui, até esse momento e até os séculos cheios de incógnitas, mas também de promessas como também de riscos que se desdobram diante de nós, tudo quanto aqui se fizer repercutirá no Céu e ficará inscrito no Livro da Vida.

No Livro da Vida ficará inscrito no Céu que no ano de 1992, na aurora desse ano, em que certo falso progressismo se promete a si próprio tantas realizações no seu programa de renovações, que são no fundo deteriorações, houve também passos que repercutiram firme na terra dizendo: "Nós também avançaremos! Nós também caminharemos!" [palmas]

Com os vossos passos, repercutiram no Céu os pulsares de vosso corações: "É a Cristo que queremos! É a Maria que queremos! E só o que for conforme a Cristo e Maria é aquilo que nós verdadeiramente desejamos!" [palmas]

A tradição que vós representais não é algo de fixo, de estagnado, que não se desenvolve, que não tem o futuro diante de si. Não são as figuras de cera de um museu Grévin ou de um museu Tussaud, respectivamente, em Paris ou em Londres. São uma coisa muito diversa. A Tradição que nós representamos é a tradição católica, é a tradição cristã, é uma tradição cheia de vida. Uma vida natural e sobrenatural ardente. E essa vida quer abrir caminho para si na História e está abrindo inclusive nessa passeata do dia de hoje. [palmas]

É uma tradição viva, que clama, que conclama, que aclama, que reclama, que proclama, que não fica quieta e que não pára. Ela clama a sua resolução de continuar viva defendendo o seu espaço na terra. E afirmando o seu progresso, os seus direitos contra quem pretendesse intimidá-la em nome das pseudo-maravilhas de um pseudo-progresso.

É uma tradição que conclama aqueles que pensam como ela, a que se juntem a ela e que venha lutar com ela, a favor das verdadeiras tradições.

É uma tradição que reclama contra tudo aquilo que se faça em atentado contra ela.
É uma tradição que aclama não só tudo quanto no passado e no presente se faz de bom, mas também desde já e antecipadamente, aclama aquilo que a nossa Fé inspirará aos nossos vindouros até o dia do Juízo Final. [palmas]

É nesta certeza que se abre assim, o VIII Encontro de Correspondentes da TFP, com elementos vindos dos mais variados pontos deste continente, do continente europeu.

Eu vejo aqui com simpatia e com afeto, e saúdo com o melhor de minha solicitude, eu saúdo pessoas vindas do Norte desse continente, das margens do rio Hudson, que banha Nova York. Pessoas vindas das margens desse Amazonas, tão nosso, tão caracteristicamente brasileiro, tão distante pela geografia, mas tão próximo pelo afeto.

Eu saúdo os que vieram de junto do rio Manzanares, que banha a histórica e legendária Madrid e que aqui vieram para participar de nosso entusiasmo e de nossa dedicação...

(Uma senhora espanhola brada: Viva Dr. Plinio!!! Viva la TFP!!!)

E que com uma vivacidade caracteristicamente castelhana, indicativa do desejo de participar de todas as proezas e de todos os heroísmos, acaba de me cortar amavelmente a palavra neste instante. E eu saúdo com afeto também, aqueles que vieram das margens do Rio da Prata, já no outro extremo do continente, irmãos diletos, de amigos descendentes dessa Espanha heróica, que eu acabo de saudar e que estão unidos ao Brasil, não só pela continuidade geográfica mas por tantos outros laços entre os quais a ligação tão afetuosa, que faz de todas as TFPs pelo mundo inteiro uma grande entidade, vinculada pelos mesmos ideais, marcada pela mesma missão, ao serviço do mesmo Deus e da mesma Igreja, e da mesma civilização.


A todos vós, muito cordialmente eu saúdo.

Dia de Todos os Santos e Finados — oposição ao Halloween


No primeiro dia de novembro comemoram-se Todos os Santos — todos homens e mulheres que morreram, se salvaram e cujas almas estão no Céu na felicidade eterna. Conforme o Apóstolo São Paulo: “Se morremos com Cristo, temos fé de que também viveremos com Ele” (Rom. 6,8).

O segundo dia deste mês é dedicado aos fiéis defuntos, ou Dia de Finados. Com o desvelo de Mãe, a Igreja, depois de festejar a glória de todos que se encontram no Céu, volta seu olhar misericordioso para as almas que estão sofrendo no Purgatório (lugar de purificação).

Como filhos de Deus, devemos procurar aliviar as penas, e mesmo obter de nosso Divino Redentor o livramento das almas que padecem no Purgatório, especialmente as de nossos mais próximos, parentes, amigos. Como aliviar seus padecimentos? — Rezando e sofrendo por elas, pedindo a intercessão de Maria Santíssima para que leve as almas dos fiéis defuntos o quanto antes para a glória da bem-aventurança eterna.

Nessa intenção, devemos rezar todos os dias do ano, mas de modo particular no Dia de Finados. Daí o costume de em 2 de novembro visitar os cemitérios e rezar junto à sepultura de nossos entes queridos. Os que o fizerem de 1º a 8 de novembro podem ganhar uma indulgência plenária, nas condições estabelecidas pela Santa Igreja.

Infelizmente, em nossos tempos, procura-se desviar a atenção de assuntos relacionados com a morte. Entretanto, quem de nós sabe se viverá até amanhã? A cada passo a morte roça em nós — é um parente, um amigo, um vizinho que se vai —, mas procuramos não pensar nesse tema tão sério, como se não nos dissesse respeito. Essa não é uma atitude cristã.

Também se procura cada vez mais esquecer esta lembrança de Finados, substituindo-a pelo Halloween (dia das bruxas), festividade que lembra cultos do antigo paganismo, trazendo à tona recordações hediondas e sinistras — sobretudo quando associam o Halloween com as Marchas dos Zumbis (ou dos mortos vivos, como na foto ao lado), que desfilam pelas cidades seus horrores asquerosos, macabros e infernais.

Enquanto o Halloween e a Marcha dos Zumbis nos impelem para as coisas cadavéricas, para o horrendo próprio ao Inferno e seus demônios, as celebrações nos dias de Todos os Santos e de Finados elevam nossos olhos para o Céu, seus Anjos e seus Santos.


“Pedro está aqui” A emocionante descoberta dos ossos de São Pedro no Vaticano – II

Continuação do post anterior

"Muro dos grafitti"

Mas as surpresas apenas começavam: o exame da parede azul revelou que ela estava coberta de inscrições cristãs de tipo grafite, feitas com estiletes, na maior desordem.

Concluiu-se que eram pedidos de orações dos primeiros cristãos, que punham seus nomes – Ursianus, Bonifatius, Paulina etc. O símbolo codificado de Cristo (as letras gregas chi-rho superpostas, como se vê no desenho ao lado) aparecia várias vezes.

Mas o nome que se procurava não foi encontrado: Petrus. Nenhuma invocação a ele naquela floresta de nomes. Permanecia o indecifrável silêncio sobre São Pedro.

Num ponto dessa parede foi encontrado um pequeno buraco, formado pela queda da argamassa. Inserindo luz pelo buraco, verificou-se que a parte de baixo da parede azul era oca e revestida internamente de excelentes mármores.

No chão dessa cavidade havia muito pó. Parecia ter sido algum túmulo engenhosamente escondido ali. Seria impossível investigar melhor aquilo sem abrir mais o pequeno buraco, o que destruiria as inscrições.


Corte esquemático permite ver o posicionamento 
dos túmulos. No nº1 São Pedro
Com isso, as atenções se voltaram para o túmulo de São Pedro propriamente dito. Decidiu-se escavar mais, bem junto à parede vermelha, para se chegar à câmara mortuária.

Logo foram encontradas algumas sepulturas cristãs simples, quase amontoadas junto à parede. Eram dos primeiros séculos. Tratava-se de um tocante indício: todos os corpos estavam voltados para a parede. Eram cristãos enterrados bem junto a São Pedro.

Ao retirar uma pedra, depararam com uma cavidade vazia: afinal, o túmulo! Emocionados, os arqueólogos avisaram [o Venerável] Pio XII, que em dez minutos chegou.

Era uma câmara pequena, mas alta, simples, com paredes de tijolos nus e piso de terra. E estava vazia! Havia sinais evidentes de violência: um nicho e uma trave golpeados violentamente, uma coluneta partida.

Conjunto dos ossos de São Pedro
 achados no túmulo
No chão encontraram-se muitas moedas romanas e medievais, confirmando uma crônica que se refere a uma pequena abertura no túmulo, onde se podia introduzir a mão. As moedas provinham de todo o Império, atestando a devoção generalizada ao Apóstolo.

O exame minucioso do local revelou na base do nicho uma pequena abertura em forma de Λ, entupida de terra.

Revolvendo o interior dessa abertura, encontrou-se enorme quantidade de fragmentos de ossos antiquíssimos. Eram mais de 250. Seriam os do Apóstolo?

Em caso afirmativo, por que estavam eles em posição tão secundária e escondidos?

O médico de Pio XII, dr. Galeazi-Lizi, examinou-os superficialmente e concluiu que eram de um homem idoso e de físico robusto, o que correspondia à descrição de São Pedro. Daí ter-se propagado, na ocasião, a versão de que os ossos eram dele.

Mas essa localização estranha exigia maiores pesquisas. As escavações continuaram, revelando que a parede vermelha era a peça chave de um complexo de construções.

Tratava-se de uma edícula comemorativa, no centro da qual havia duas colunetas sustentando uma laje de travertino, parecendo um altar. Em frente situava-se um pátio fechado por altos muros.

Restos do primeiro túmulo construído 
para São Pedro
Era obviamente uma construção ideal para celebrações clandestinas dos primeiros cristãos.

Como o cemitério era pagão e aberto, ao contrário das catacumbas, as precauções tinham que ser maiores.

Daí a ausência do nome de Pedro e de símbolos cristãos nessa área (é aí que está a parede azul com os grafitos). É esta também a razão do silêncio sobre a localização do túmulo, na literatura cristã da época.

Πέτροσ ένι


Após o término das escavações, em 1950, o arqueólogo Ferrua examinava o interior da parte oca da parede azul, e notou no chão, perto da junção desta com a parede vermelha, um pequeno pedaço de argamassa que havia caído.

Conseguiu pegá-lo dentro do buraco, e viu que havia algo gravado ali à estilete. Levado a especialistas, descobriu-se uma inscrição em grego que dizia: “Πέτρ... ἔνι”.

Faltavam letras no primeiro nome, obviamente Πέτροσ (“Pedro”). Ἕνι é a contração do verbo grego antigo ἔνεοτι, que significa “estar dentro”. A inscrição significava “Pedro está aqui”.

A essa altura, um dos maiores especialistas em inscrições antigas, a dra. Margherita Guarducci, passou a estudar os grafitos da parede azul.

Como se sabe, os cristãos tinham toda uma linguagem codificada de símbolos e letras – o peixe, as letras
gregas chi-rho (ΧΡ), o Μ para Maria, o Ν para vitória etc.

Após algum estudo, a dra. Guarducci descobriu o código usado para São Pedro: um “Ρ” com um discreto “Ε” em sua perna, ou o mesmo símbolo inserido no chi-rho de Jesus, tocante símbolo para o Vigário de Cristo (cfr. desenho ao lado).

Além disso, a descoberta provava contra os anticatólicos que a doutrina do papado já era clara naqueles primórdios da Igreja.

Muitas inscrições com esse símbolo podiam ser observadas na parede dos grafites. Estudos posteriores revelaram que São Pedro era invocado com grande frequência, mediante tal símbolo, pelos primeiros cristãos, pois ele era muito usado nas catacumbas em cartas, em mosaicos, em pinturas etc. Estava explicado o “silêncio” sobre São Pedro.

Grafitti com o chi-rho (ou XP), símbolo de Cristo
Essa descoberta fez com que a dra. Guarducci ficasse intrigada com a inexplicável parede oca com os grafites e o “Πέτροσ ἔνι”.

Chamou sua atenção um fato que passou despercebido aos demais arqueólogos. Mons. Kaas, administrador da Basílica, costumava ir à noite verificar os andamentos dos trabalhos. Acompanhava-o G. Segoni, o chefe dos “sampietrini” (operários do Vaticano, cujos ofícios passam de pai para filho).

Mons. Kaas, nessas inspeções, preocupava-se em guardar de modo digno as numerosas ossadas que iam sendo encontradas. Colocava-as numa caixa ajudado por Segoni, identificando com uma etiqueta o local de onde foram tiradas.

Uma noite, pouco depois de descoberta a parede oca dos grafitos, Mons. Kaas pediu que Segoni verificasse bem se não se encontrariam ossos dentro da cavidade.

Por baixo da poeira, Segoni encontrou numerosos ossos, restos de tecido e uns fios metálicos.Tudo foi guardado numa urna e identificado. Outro “sampietrini presenciou a remoção, mas os demais arqueólogos nem souberam disso na época.

continua no próximo post
(Autor: Juan Miguel Montes, “Catolicismo”)
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