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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Anchieta, varão virtuoso e santo



No artigo anterior – Grandeza e bem-estar dos povos – procurei realçar a diferença entre a catequese dos missionários “aggiornati” e a dos missionários dos tempos de Nóbrega e Anchieta, cuja missão era converter os índios para a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e, assim, abrir-lhes as portas da salvação.

Enquanto hoje os “moderninhos” acusam aqueles desapegados e santos de ter colaborado para a desagregação, marginalização, destruição e morte de nossos silvícolas, na verdade Anchieta e seus companheiros catequizadores os conduziam à prática da Lei de Deus, fundamento da grandeza e do bem-estar dos povos.

Pelo fruto se conhece a árvore. Onde estão os frutos do CIMI – Conselho Missionário Indígena? Para D. Tomás Balduíno, ex-presidente desse órgão da CNBB, “os índios são os verdadeiros evangelizadores do mundo.” E prossegue: “(Nós) vamos a eles sabendo que o Cristo já nos antecedeu no meio deles, e que lá estão as ‘Sementes do Verbo’”.

Ele vai além, ao dizer que tem a “convicção de que eles vivem o Evangelho da Bem-Aventurança. E de que por isso se impõe a nós uma conversão às suas culturas (…). E a partir dos mais marginalizados e oprimidos ela se torna a Boa Nova Universal, com valor de profecia para todos os homens”.

Anchieta, homem virtuoso e santo, via com outros olhos as ditas “culturas” de D. Tomás Balduíno, pois empregou todos os meios ao seu alcance para arrancar os índios dos vícios. E, ao mostrar-lhes a moral católica, queria que eles abandonassem a antropofagia, a poligamia, o infanticídio, os falsos cultos e o homicídio voluntário.

Com efeito, os ensinamentos do Evangelho podem ser adaptados à psicologia e às peculiaridades de cada povo, mas a substância de seu preceito é imutável, porque foi comunicada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, não podendo nenhum homem, por mais importante que seja, mudá-lo. Por quê?

Porque ao mandar ensinar todas as gentes, Jesus Cristo colocou uma cláusula: a de proceder em tudo como Ele ensinou, sem alterar seus divinos ensinamentos. Se os missionários de hoje pregam uma “releitura” do Evangelho, os de outrora procuravam ser perfeitos como o Pai celestial é perfeito, pois christianus alter Christus – o cristão é outro Cristo.

Este mesmo anseio de fidelidade e perfeição levou o Pe. Anchieta a dar grandes provas de seu amor a Deus. Por exemplo, ao conclamar em 1560 uma bem-sucedida cruzada de portugueses e nativos contra os invasores franceses liderados por Villegagnon que pretendiam fundar a França Antártica no Rio de Janeiro.

Agindo assim, o Apóstolo do Brasil visava formar uma nação com vida própria, com a plenitude de vida dos homens que a compõem, conscientes das próprias responsabilidades e convicções. Para isso, nada melhor que difundir a doutrina e a lei de Jesus Cristo e do magistério da Igreja Católica.

Anchieta formou um povo com autonomia de decidir e gerir seus próprios negócios em conformidade com a lei moral e divina. Ele não mediu esforços em sua catequese. Até do teatro se valeu para ensinar. Construiu inúmeras igrejas e colégios, realizou inúmeros milagres com o fim de civilizar povos bárbaros.

Ao longo de nossa costa, sobretudo onde o Apóstolo do Brasil catequizou e civilizou, há sinais indeléveis de seus grandes feitos. Entre outros, a fundação da cidade de São Paulo.


Pe. David Francisquini é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira-RJ
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