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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Coronel John Ripley — um herói americano

Repostado de: Catolicismo

Um exemplo para todos que enfrentam dificuldades. Por maiores que estas sejam, é preciso arrostá-las com confiança e espírito sobrenatural. Entrevista com seu biógrafo, Norman Fulkerson

“O título que o Cel. John Ripley
 recebeu, significava que ele 
constituía um ‘perigo mortal’ 
para qualquer inimigo que 
ousasse enfrentá-lo”
Nascido em 1939 e falecido em 2008, o Cel. John W. Ripley é um herói legendário da guerra do Vietnã (1964-1975). Especialmente marcante foi sua ação durante a “Ofensiva de Páscoa”, em 1972, quando seu superior, o Cel. Gerald Turley, ordenou-lhe resistir até a morte diante da ofensiva de mais de 30 mil soldados comunistas do Vietnã do Norte apoiados por 200 tanques. O então capitão John Ripley procedeu à dinamitação da ponte de Dong Ha, única passagem do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul, impedindo assim o inimigo de invadir a parte meridional e detendo durante mais de um ano a ofensiva comunista contra o Sul. A saga — que o jovem capitão empreendeu praticamente só, durante cerca de três horas, rezando jaculatórias debaixo de cerrado fogo inimigo — parecia humanamente impossível, e a morte, certa.

Veterano membro da TFP norte-americana (American Society for the Defense of Tradition, Family and Property), amigo e admirador do Cel. Ripley, Norman Fulkerson escreveu um livro sobre a vida deste extraordinário fuzileiro naval: Um cavaleiro americano: A vida do Cel. John W. Ripley, obra que lhe valeu a Medalha de Ouro de 2010 da Associação dos Escritores Militares dos Estados Unidos.

A respeito de sua obra, o Sr. Fulkerson respondeu gentilmente às perguntas formuladas por Catolicismo através de seu colaborador Miguel Beccar Varela.

* * *

Catolicismo — Como o Sr. sintetizaria seu livro sobre o Cel. Ripley?

Primeiro encontro de nosso entrevistado, Sr. Norman 

Fulkerson, com o Cel. Ripley (1993). Fotografia tirada

em Washington, por ocasião do lançamento do livro 
Nobreza e Elites Tradicionais Análogas, do Prof. Plinio 
Corrêa de Oliveira.
Sr. Fulkerson — Em uma palavra, trata-se da única biografia deste herói norte-americano, um personagem legendário para os fuzileiros navais de meu país. Cada etapa está repleta de episódios interessantes.

Catolicismo — Inclusive na época da infância?

Sr. Fulkerson — A infância de John é a história de uma vida de aventuras como a sonham os meninos de todas as épocas; a vida de um menino "marcado para uma missão especial".

Catolicismo — Poderia dar um exemplo?

Sr. Fulkerson — Próximo de sua casa havia uma ponte de ferro sobre a qual o trem atravessava um rio, e ele gostava de brincar ali. Uma de suas "proezas" era atravessar a ponte pendurando-se com as mãos nas vigas, para a grande admiração de seus primos e primas. Muitos anos depois, em terras longínquas, a mesma "diversão" transformou-se em ato de guerra de uma força que se diria quase sobre-humana... Vemos também, nos anos de sua infância, o ambiente familiar católico eminentemente adequado para formar heróis.

“Não é o fato de expor-se ao risco. Risco é risco apenas, não é combate. É algo totalmente diferente. Podemos chamar de combate, por analogia, estar sentado numa trincheira recebendo o fogo de mísseis. Mas em si, combate é um ato agressivo. Deve-se avançar sobre o inimigo, deve-se atirar sobre a sua jugular; e deve-se encontrar gosto em fazê-lo, pelo menos a ponto de que, se requerido a fazê-lo novamente, isso não signifique que se vá cair numa depressão”.



Alguns ditos do Cel. Ripley
“Cair morto no cumprimento do dever é honroso enquanto fugir é a mais alta forma de desonra”.
“Se alguém pode ser um bom católico, esse pode ser um bom marine”.
“Eu nunca fui, nem jamais serei infiel à minha esposa”.
“A sua unidade deve vê-lo com um líder, e seus membros devem ganhar confiança na sua confiança”.
“Não há pessoa na Guerra que não tenha medo, mas não se deve deixar dominar por ele”.


Catolicismo — E sobre a adolescência e a juventude?

Sr. Fulkerson — É a época da vida em que nascem e se admiram os grandes ideais. Vemos ali a árdua luta do adolescente que adquire uma vontade de ferro pela disciplina nos estudos para a carreira militar, durante sua formação nos Marines — os soldados mais aguerridos do mundo. Também, o apoio e a saudável influência de seus pais modelares.

Desde o início, o Cel. Ripley demonstrou suas excepcionais aptidões guerreiras. Após completar quatro treinamentos, dos mais difíceis no mundo, das forças especiais— incluindo o curso dos Comandos dos Reais Fuzileiros Navais Britânicos — ele ganhou a denominação entre os companheiros, de “quad body”. No mundo, somente dois homens haviam obtido tal título até aquele momento. Significava que ele constituía um “perigo mortal” para qualquer inimigo que ousasse enfrentá-lo.

Catolicismo — Por fim, a maturidade.

Sr. Fulkerson — Esse "por fim" tem dois aspectos. Um deles é o auge de glória na história de sua carreira de soldado na guerra do Vietnã. Outro aspecto é que, embora inicialmente não tivesse sido bom estudante, graças aos seus esforços ele adquiriu um grande amor pela leitura, principalmente da História. A ponto de, no fim de sua vida, ter-se tornado o maior historiador da batalha de Iwo Jima. Um de seus melhores amigos, Paul Galanti, disse que Ripley se tornou um verdadeiro filósofo. Assistia à Santa Missa diariamente, e costumava dizer: “Se alguém pode ser um bom católico, esse pode ser bom marine”.

Catolicismo — Como foi a passagem do Cel. Ripley pela guerra do Vietnã?

Sr. Fulkerson — Ele serviu naquele país em dois períodos. Em 1966, com 27 anos, chegou como capitão ao Vietnã. Seu valor, sua capacidade de mando e de liderança fizeram dele uma legenda viva. Em seguida ele foi colocado no comando da Companhia Lima de fuzileiros.

Em março de 1967 começou a sua legenda. Ripley e seus homens resistiram durante todo o dia ao ataque de um batalhão de mil soldados comunistas do Vietnã do Norte. Durante uma batalha em 2 de março, que durou quase o dia inteiro, ele perdeu a maioria de seus fuzileiros. A batalha foi tão feroz que nos Estados Unidos os fuzileiros de seu batalhão passaram a ser conhecidos como os “Ripley's raiders" ("grupos de assalto de Ripley"). O nome pegou e a lenda nasceu. Seus soldados diziam: “Estar perto de Ripley significava a certeza de muita ação”. Ou então: “Nós o seguiríamos até as portas do inferno, porque sabíamos que nos traria de volta”.

Declaração do Cel. Ripley diante da comissão presidencial sobre o significado de “combate” nas Forças Armadas
“Combate é combate. Talvez eu deva começar com minha definição de combate. É um ato diretamente agressivo. Não consiste em esperar passivamente que algo ocorra em um ambiente de risco. Estar simplesmente exposto ao combate não é combate, ao menos em nível de infantaria. O combate pressupõe um comportamento agressivo e violento; e a satisfação, o gozo que deriva desse comportamento — essa é uma parte essencial do combate. Pelo menos entre os Marines.

“Tomem, por exemplo, no futebol americano, jogadores (linebackers) na linha de defesa. Eles gostam de esmagar, arrebentar, não o jogador que têm diante de si, mas qualquer jogador. Há uma satisfação derivada desse tipo de comportamento que é comum entre os homens. Não digo aos 100% deles, mas de modo geral. Poder-se-ia definir isto como sendo um equilíbrio químico, o hormônio masculino testosterona, e essas coisas. Não sei bem o que causa isso, mas posso dizer-lhes que é o comum. E um homem que não tenha isto nunca será um bom Marine. Não o queremos. [...]
“O combate sugere este tipo de comportamento agressivo, violento, que engendra uma certa satisfação de ter enfrentado e esmagado o inimigo; é um bom sentimento, um sentimento de vitória, um banho de emoção. Há algo de bom nisto.
“Eu não estou de acordo com essa ideia de que nós odiamos lutar [...] alguém tem que fazê-lo; nós o fizemos e nos causou gosto fazê-lo. Isso não quer dizer que sejamos belicistas ou militaristas, ou que tenhamos forçado as coisas para estarmos lá (falando do Vietnã). Isso, podem estar certos, que não fizemos. Mas tivemos um enorme prazer em levar a luta ao inimigo e tê-lo arruinado. Isso é combate.

Catolicismo — O Sr. poderia narrar para nossos leitores o famoso caso da ponte de Dong Ha?

Dramática representação do Cel. Ripley 

durante sua ação sob a ponte de Dong

 Ha (pintura do Cel. Charles Waterhouse). 
  Sr. Fulkerson — No ano de 1971 ele regressou ao Vietnã. E em março de 1972 realizou a façanha de mandar pelos ares a ponte de Dong Ha. Fazer “voar” a ponte não foi nada fácil. Como narro em meu livro, o Cap. Ripley teria de colocar mais de 250 quilos de explosivos debaixo dela. Apesar de ter-se alimentado muito pouco durante os últimos dias, ele realizou 12 viagens entre a margem do rio e a parte inferior da ponte. Em cada viagem ele levava mais de uma dezena de sacos com vários quilos de explosivos. Para evitar as balas inimigas que choviam a partir da outra cabeceira, Ripley realizava essa operação pendurando-se nas vigas da ponte (em forma de "I"), como ele o fazia quando garoto...

Quando chegou o momento de colocar os detonadores na dinamite (eram várias dúzias de "bananas"), como não possuía o alicate adequado, ele se viu obrigado a morder em cada um dos perigosos explosivos, com o risco de os mesmos explodirem, fazendo voar sua cabeça. Foram mais de três horas nessa terrível operação. E tal era seu estado de esgotamento que ele chegou a desmaiar por alguns momentos.

“O único meio de ser capaz de fazer isto — relatou o Cel. Ripley diretamente a um grupo de amigos da TFP americana — foi simplesmente pedir a Deus que me desse força”. Contou ainda que durante os esforços esgotantes, os Marines costumavam entoar cânticos seguindo o ritmo de sua movimentação. Para grande surpresa do major Smock — que o ajudava passando-lhe as cargas de dinamite a partir da margem do rio, sob a cabeceira sul da ponte —, o Cel. Ripley cantava em voz alta, em forma de jaculatória: “Jesus, Maria, levai-me até lá!”. E assim, de fato, ele mandou aquela ponte para os ares. Foi um sucesso extraordinário!

Catolicismo — Era uma ponte muito estratégica naquela guerra?

Sr. Fulkerson — O Cel. Turley, o assessor especial que no fragor do avanço norte-vietnamita ordenara ao Cel. Ripley fazer “voar” a ponte de Dong Ha, escreveu depois um relatório no qual diz, entre outras coisas: “O êxito do Cap. Ripley vencendo obstáculos impossíveis de vencer, destruindo a ponte, foi uma luta épica em si mesma. Num momento em que a política do Vietnã do Sul estava sob o peso do sentimento de derrota, a ação isolada do Cap. Ripley deteve a ofensiva do Vietnã do Norte. Assim o reconheceram o supremo comando em Saigon e o Departamento de Defesa. A persistência de um só homem, de levar a cabo sua missão, sua coragem e sua força de vontade sob as condições de combate extremas, fez toda a diferença nas centenas de pequenos combates que se produziram nesse dia. O espírito indomável do Cap. Ripley, sua galhardia e intrepidez diante do risco, chegaram muito mais alto que o ‘mais além do dever’. Seus atos fizeram retroceder a maré da ‘ofensiva da Páscoa de 72’; e o avanço norte-vietnamita se deteve durante quase três anos”.

Catolicismo — Como católico contra-revolucionário, o Sr. sente sintonias especiais com a alma do Cel. Ripley? 

Sepultamento do herói no ano de 2008 
Sr. Fulkerson — Há muitos exemplos na vida deste grande herói com os quais sinto grande consonância. Em primeiro lugar, o incisivo depoimento que ele deu diante do Congresso norte-americano em 1995 contra a admissão de homossexuais nas Forças Armadas. Ao fazer isso, ele atacou de frente uma ideia “politicamente correta” que tem tido muitas ramificações no meu país. Ele terminou seu depoimento literalmente implorando aos congressistas que não metessem os fuzileiros navais numa emboscada da qual jamais conseguiriam recuperar-se. Outro ponto contra o qual ele insistiu muito foi a ideia de se colocar mulheres em situações de combate. Isso se deveu não só ao seu bom senso, mas também ao seu grande espírito cavalheiresco que o levava a proteger as mulheres. Mais do que ninguém, ele entendia a brutalidade da guerra e queria absolutamente poupá-la às mulheres.

Catolicismo — O que o Sr. conclui depois de ter conhecido o Cel. Ripley e estudado a fundo sua vida?

Sr. Fulkerson — O Cel. Ripley se entregava à ação com uma total radicalidade, vencendo inteiramente o temor, indo até as últimas consequências, sem poupar até o fim um gesto necessário. Pura fortaleza, sem nenhum laivo de covardia, e no entanto fazendo tudo com prudência e sabedoria. Sua gesta fazendo “voar” a ponte de Dong Ha constituiu uma ação heroica que marcou o imaginário dos norte-americanos. Ele foi um homem excepcionalmente virtuoso, casto, detentor de um notável physique de rôle. A Providência parece ter-se comprazido em fazer brilhar nele vários elementos: ter inspirado um só homem a realizar algo que mudaria o curso das coisas num momento de grande peso na História; dar a esse homem forças sobre-humanas de heroi, para torná-lo um modelo de combatividade que talvez esteja nos planos de Deus que se transforme em algo muito maior, algum dia, na história do povo americano.


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