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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Repostagem - Igualitarismo e a Redução ao absurdo

Sonhei. Confesso que foi um sonho muito singular! Vi um comício de… insetos.

O clima estava tenso no meeting. “Abaixo a discriminação, igualdade, igualdade!”, bradava furiosa uma aranha “enorme”, imponente em sua teia regular e geometricamente constituída: “Protegem os mamíferos. Os animais grandes por acaso são racionais? Ou são como nós, corpos sem espírito? Por que o Código Penal os protege, e nada diz em nosso favor? Vejam esta: um casamento de cães e a dona gastou na festa 500mil reais![1] Para nós, é só inseticida.

A traça gritava: “Cultura, cultura, precisamos de mais livros”. (Para que, hein? Como se sabe, as traças se alimentam das publicações). Um louva deus da TLI (Teologia da Libertação dos Insetos) dizia: gente, gente: união, união. Somos todos irmãos, somos todos iguais. O comitê das pulgas ostentava um cartaz em que se lia: “Mamíferos gigantes (os homens), não se cocem pois nos atrapalha”… Saúvas vermelhas exclamavam: pensam que não percebemos que entre os homens há vermelhos que nos invejam? Então, por que calcam o pé sobre nós? Será que é só porque temos rainhas? Insetos de todo mundo, uni-vos!

O comício se desenrolava assim, quando chegou a reportagem.

Logo procurou pela traça, presumivelmente o mais amigo dos livros entre os insetos, para prestar declarações. O repórter perguntou: Qual a razão dessa manifestação dos insetos, um pouco singular?

Traça: Somos animais como os outros, mas vítimas de um absurdo preconceito apenas porque somos pequenos. É só uma questão de tamanho. Todo animal, grande ou pequeno, é um corpo sem razão. As sociedades protetoras de animais não nos protegem. Por que? Tem lógica? Somos tão animais quanto os mamíferos. É uma discriminação. Estamos apenas cumprindo a pauta que nos deu a natureza; nada de mal, não é? Se talvez incomodamos um pouco, compare com a opressão que vem da raça humana. É uma guerra racial, sem tréguas. Os animais domésticos são uns bajuladores do homem. Nós não bajulamos, e por isso somos perseguidos. Igualdade! Guilhotina neles! São politicamente incorretos!

Repórter: Mas você não acha que entra um pouco de legítima defesa de parte dos homens face a vocês? Há insetos daninhos, venenosos, outros machucam e coçam.

Traça: Há também insetos não venenosos, que são tratados com os mesmos preconceitos. Que legítima defesa pode haver face a uma barata inofensiva? Desculpe, se é uma questão de beleza, entre vocês homens há cada espécime… Veja o meu caso pessoal de traça: não mordo ninguém, não faço barulho. Apenas busco meu sustento, onde estou acostumada. Ou será que um livro inerte tem mais valor do que eu, que sou um ser vivo? Por que motivo esmagar uma mosca, que não pica, e agradar um cão, que às vezes fere gravemente, como um rottweiller? Mera questão de tamanho? Quer um animal mais inofensivo que uma minhoca? Lá vai ela enganchada cruelmente num anzol. Onde fica a igualdade entre os animais, racionais ou não? E, se nos tratam desigualmente, onde fica o igualitarismo tão querido dos homens de hoje?

Repórter: É verdade. Nunca se ouve um ecologista, desses que dizem que não se deve matar nem uma cobra, nem uma onça, deixar sua casa ser invadida por baratas, pernilongos ou outros inofensivos insetos. Preconceito!

A essa altura se ouviu a aranha gritar: “igualdade! igualdade! Entre os insetos e os outros animais! Entre os animais e os homens! Justiça! Justiça! Abaixo os inseticidas genocidas! Abaixo as classes sociais, ou melhor, as classes animais!”

Passou então um dos redatores do Projeto de Código Penal, ora em discussão, e disse: Isso é lógico, pelo menos tão lógico ou tão ilógico quanto vários itens que pusemos em nosso projeto. Vou sugerir novos artigos. Os insetos são tão animais quanto os Totós e os Bichanos. A diferença está apenas em que eles não têm ossos. E daí? Nem um, nem outro são racionais. Sejamos igualitários! Sejam proibidos os inseticidas, contrários aos “direitos humanos” dos insetos. Uma prática de genocídio.

Finalmente, o despertador tocou. Um alívio! E terminou o show da “redução ao absurdo”, de que falam os especialistas na arte da argumentação.[2]

Esse sonho se destaca por sua grande simplicidade. Aonde quero chegar? Quero mostrar de maneira simples e acessível, o absurdo de alguns artigos do Projeto de Código Penal, dos igualitários e dos ecologistas radicais em geral. Onde está a coerência deles? Dos protetores de animais, que só protegem os animais grandes? Por que? Se as ideias deles são lógicas, por que não protegem também os insetos? Duvido que a casa de um ecologista seja cheia de traças e baratas!

Vamos aplicar o bom senso e a coerência no que diz respeito aos animais grandes e pequenos. E prestar atenção ao ensinamento das Sagradas Escrituras, do livro sagrado do Genesis:



“Enchei a Terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a Terra”.[3]

O que não for isto não é um ambientalismo cristão, como denuncia o livro de Dom Bertrand de Orleans e Bragança,Psicose ambientalista[4]. É semelhante a uma nova religião. Esse igualitarismo descrito em meu sonho, que parece tão absurdo, é mesmo tão absurdo quanto o igualitarismo entre os homens, pois se baseia nas mesmas premissas e nos mesmos slogans. Já em 1978, Dr. Plinio previa que a mania da igualdade entre os humanos levaria até o desvario dos “direitos” dos animais sobrepujarem os direitos dos homens![5] Estamos nisso!

_______________

[1] O Estado de S. Paulo, 13-7-2012.

[2] ”Redução ao absurdo”: redução ao impossível, ou prova por contradição, consiste em deduzir de um argumento uma consequência absurda ou ridícula, para demonstrar que o argumento está errado. É absurdo em pregar a igualdade entre os homens e os animais grandes, ou entre estes e os insetos.

[3] Gn, 1, 27,29.

[4] Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2012.

[5] 8.11.78.
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