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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um nascimento ilegítimo de Nosso Senhor? Absurda e infundada afirmação!

Circulam em alguns sites textos absurdos e sem qualquer base, que afirmam o nascimento ilegítimo de Nosso Senhor e afrontam a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora. Atribuem estas afirmações a textos antigos e "evangelhos" apócrifos, que, segundo eles, dizem isto e baseiam historicamente.

Procurando por estes textos, descobri alguns pontos interessantes: O texto a que muitos atribuem estas absurdas afirmações é "Atos de Pilatos", ou "Evangelho de Nicodemus". É um dos vários apócrifos do Novo Testamento, que têm data incerta mas muitos estudiosos atribuem sua versão final ao meio do século IV d.C. O autor de "Atos de Pilatos" não alega ser Pilatos e um alegado original "Hebreu" é falsamente atribuído a São Nicodemos, daí o título "Evangelho de Nicodemos" que o obra recebeu durante a Idade Média.

Além de apócrifo, o texto não possui qualquer menção a um suposto "pai de Jesus", pelo contrário, por ser um dos "Evangelhos da Paixão" trata apenas da Prisão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ainda sim, é necessário responder às falsas acusações feitas à Santíssima Virgem e à Nosso Senhor, mesmo que sem qualquer base. Tais acusações são atribuídas à James Tabor, um professor do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte, e Celso um filósofo pagão anti-cristão.

A) James Tabor

"as informações sobre a ilegitimidade de Jesus eram corretas, e um soldado com esse nome (Pandera), que viveu neste mesmo período, pode ser o pai. A carreira de Tiberius Iulius Abdes Pantera iria colocá-lo na Judéia (atual Israel) como um jovem na época da concepção de Jesus, e Tabor tem a hipótese de que, esta era a conexão entre Pantera e Jesus."¹

Para tentar dar alguma consistência a esta "teoria", alguns supõem que: "à época a mística e sofrida Maria se achava culpada do seu pai Joaquim ter sido executado por falar mal de Pilatos. E ao viajar sem escolta para a casa da prima Isabel, ela teria sido violentada pelo soldado Pantera. Jesus foi filho de “mãe solteira”.

Recompostos do mal estar inicial ao ler tal absurdo, podemos responder:

Biblicamente, não ficam conhecidos os nomes dos pais de Maria (Joaquim e Ana), as Sagradas Escrituras apenas registram que o anjo Gabriel apareceu a uma Virgem chamada Maria (moça de cerca de quinze anos) na cidade de Nazaré da Galileia. Não existem fontes ou provas, muito menos é provável que um galileu tivesse sido executado por afrontar Pilatos o qual era um governador romano com jurisdição apenas na Judeia e não em toda a palestina. Na Galileia, quem comandava era Herodes (o tetrarca da Galileia), e rival político de Pilatos.

Na disciplina dos legionários, era previsto suplício a quem agredisse mulher desarmada ou prisioneiros sob sua guarda, o que devido à disciplina das legiões seria impraticável, naquela época, durante o governo de Octávio Augusto (31 a.C até 14 a.C), período de muita seriedade e equilíbrio político em todo o império. Um legionário com delito semelhante não seria transferido para uma área continental, mas seu castigo poderia ser o suplício e, sobrevivendo a ele, o delinquente teria banimento para uma região insular onde ficaria na condição de carcereiro, o que provavelmente acontecer-lhe-ia por maus tratos a uma moça da Galileia (sem valor social ou político para judeus ou romanos). Octávio Augusto não foi um déspota, seus 45 anos de governo foram rígidos contra todo tipo de corrupção e suas legiões respeitavam os povos conquistados destruindo apenas suas resistências bélicas. Se tal história fosse contada depois de Tibério (14 d.C a 37 d.C), até poderia ser verdade, ou durante os quatro loucos anos do governo de Caio (Calícula = Bota Velha; 37 d. C a 41 d. C.), quando todo tipo de besteira pôde ser verificada, mas não neste período.

B) Celso

No século II d.C., Celso, um filósofo pagão anti-cristão escreveu que o pai de Jesus seria um soldado romano chamado Pantera. As opiniões de Celso forçaram uma resposta do mais brilhante apologista cristão da época, Orígenes, que considerava a história uma farsa. Raymond E. Brown afirma que a história de Pantera era uma explicação fantasiosa para o nascimento de Jesus e contém pouquíssimas evidências históricas²

Na Idade Média, como parte dos conflitos com os cristãos, uma paródia satírica dos evangelhos cristãos chamada Toledot Yeshu foi escrita pelos judeus, provavelmente como um instrumento para evitar conversões para o nascente cristianismo . O livro se refere ao nome Pantera (ou Pandera) como sendo o pai de Jesus e também retratou Judas Iscariotes como um herói. O livro acusa Jesus de ter um nascimento ilegítimo como filho de Pantera e de atos heréticos - e violentos - junto com seus discípulos durante o seu ministério. Robert E. Van Voorst afirma que a origem literária do Toledot Yeshu não pode ser recontada com facilidade e, dado que é improvável que ela seja anterior ao século IV, ela é por demais afastada para que seja provável que ela inclua qualquer lembrança real de Jesus.

Conclusão

Vemos que não existe qualquer documento confiável que baseie as absurdas afirmações de um nascimento ilegítimo de Nosso Senhor Jesus Cristo. A principal hipótese para o surgimento destes absurdos se dá pelos conflitos que existiram na Idade Média entre os Judeus e os Cristãos. Os Judeus, para evitar conversões ao cristianismo, escreveram uma paródia satírica dos Evangelhos, chamada Toledot Yeshu. Em outras palavras, a absurda alegação da ilegitimidade têm por "base" uma paródia satírica e não o apócrifo "Atos de Pilatos". A confiabilidade? Em toda a medida que se pode confiar em uma paródia...

¹ 
http://en.wikipedia.org/wiki/Tiberius_Iulius_Abdes_Pantera
² 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nascimento_virginal_de_Jesus
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